
Beirute, 04 Mai (Inforpress) – O secretário-geral do grupo xiita libanês Hezbollah, Naim Qassem, afirmou hoje que “apoia a diplomacia” que leve ao fim da agressão contra o Líbano, mas rejeitou negociações diretas com Israel, classificando-as como uma “concessão inútil”.
“Apoiamos a diplomacia que leve ao fim da agressão e à implementação de acordos. Apoiamos a diplomacia de negociação indireta… Quanto a negociações diretas, são uma concessão inútil e um favorecimento a [primeiro-ministro israelita Benjamin] Netanyahu que procura projetar uma imagem de vitória”, afirmou o clérigo xiita num comunicado do movimento pró-iraniano.
As declarações de Qassem ocorrem num momento em que o processo diplomático está paralisado e o Presidente libanês, Josef Aoun, procura consolidar o frágil cessar-fogo em vigor e interromper os ataques israelitas para garantir encontros bilaterais em Washington.
Para o líder do Hezbollah, esta etapa só será ultrapassada com “resistência contínua, entendimento interno, aproveitamento do acordo Irão-Estados Unidos e recurso a qualquer movimento internacional ou regional que exerça pressão sobre o inimigo”.
“Que o mundo se lembre de que a rendição não será a solução”, declarou Qassem.
Embora Israel queira, em última instância, o desarmamento do Hezbollah, para o líder da organização “a solução com o inimigo não reside em tornar o Líbano, política e militarmente, num país fraco e submisso”, nem “numa diplomacia sobrecarregada pela continuidade da agressão”.
Apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, Israel intensificou as suas ações contra o sul do Líbano, que, além de causar vítimas, resultaram na destruição de prédios residenciais, entre outros danos significativos.
“Não há cessar-fogo no Líbano, mas sim uma contínua agressão israelo-americana. Não há palavras que possam condenar adequadamente os ataques contra civis”, disse.
Qassem alertou que a região e o Líbano estão a enfrentar “uma fase perigosa da sua história”, pois “o inimigo sionista criminoso está a conspirar” e é “apoiado e dirigido pelo tirano opressor americano”.
O dirigente do Hezbollah elogiou o trabalho da resistência e defendeu os “métodos apropriados para a fase atual”.
“Existe algum país no mundo cujo governo concorde com o inimigo em confrontar a resistência do país à ocupação? Não. Vamos confrontar os objetivos do inimigo e libertar o território com nossa unidade interna, para que juntos possamos expulsá-los e permitir que o governo cumpra seus deveres”, concluiu Qassem.
A 02 de Março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah efetuou um ataque com morteiros a Israel, que a partir de então bombardeou intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com uma ofensiva terrestre, com artilharia e blindados.
Nos termos do cessar-fogo, Israel reserva-se o direito de continuar a atacar o movimento xiita para impedir ataques “planeados, iminentes ou em curso”.
O conflito fez, até agora, no Líbano, mais de dois mil mortos e mais de sete mil feridos. Também provocou mais de um milhão de civis deslocados internamente, o que representa cerca de um quinto da população libanesa.
No passado dia 23 de Abril, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo no Líbano, após uma segunda reunião em Washington dos embaixadores israelita e libanês, destinada a iniciar conversações de paz diretas entre os dois países.
Inforpress/ Lusa/Fim
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