
Espargos, 17 Abr (Inforpress) – O director do Projeto Biodiversidade, Albert Taxoneira, denunciou hoje a existência de construções invasivas e trabalhos de terraplanagem na Reserva Natural da Costa de Fragata, na ilha do Sal, alertando para o risco de degradação de um ecossistema protegido.
Em declarações à imprensa, Albert Taxoneira explicou que o alerta foi dado na passada quarta-feira, quando uma equipa da organização não-governamental (ONG) detectou máquinas pesadas a operar na zona dunar da reserva.
"Entraram com um 'bulldozer' e fizeram a terraplanagem de todas aquelas dunas. Colocaram também um contentor; imaginávamos que era uma obra com estaleiro dentro da reserva", relatou o responsável, adiantando que as autoridades, nomeadamente o Ministério da Agricultura e Ambiente e a Polícia Municipal, foram imediatamente accionadas.
Segundo Albert Taxoneira, os representantes da empresa de construção presentes no local apresentaram documentação que alegadamente comprova uma autorização da Câmara Municipal do Sal para a realização da obra. No entanto, o ambientalista contesta a legalidade do acto.
"A câmara não pode dar uma autorização para construção numa reserva natural. Ninguém pode construir ali", afirmou.
A mesma fonte sublinhou que, embora a obra esteja bloqueada desde a manhã desta quinta-feira, 16, por ordem da Direcção Nacional do Ambiente, é necessário agora garantir a remoção dos equipamentos e a recuperação do ecossistema.
O director do Projecto Biodiversidade lamentou a destruição de habitats que "levam muitos anos a formar-se e são destruídos em poucas horas", acusando a autarquia local de, no passado, ter solicitado a desclassificação daquela área para fins de venda de terrenos.
"As áreas protegidas são para todos nós, para todo o povo, não só para a biodiversidade. Oferecem serviços ecossistémicos e protegem as comunidades locais", defendeu, apelando a uma distinção clara entre o "interesse particular e o bem comum".
Albert Taxoneira recordou ainda que a pressão sobre as reservas naturais no Sal tem sido recorrente, citando como exemplo o redimensionamento de Ponta Sinó para acomodar empreendimentos hoteleiros na zona turística de Santa Maria.
O ambientalista exorta agora as autoridades competentes, incluindo o Ministério da Agricultura e Ambiente e a Procuradoria-Geral, a actuarem de “forma firme” para travar este tipo de violações em áreas de protecção ambiental.
NA/CP
Inforpress/Fim
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