
Paris, 05 Abr (Inforpress) - O francês Chan Thao Phoumy, condenado à morte em 2010 na China por tráfico de droga, foi executado em Cantão, no sul do país, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, manifestando consternação.
O cidadão de 62 anos, nascido no Laos, foi executado "apesar da mobilização das autoridades francesas, incluindo para obter uma decisão de clemência, por motivos humanitários, em benefício do nosso compatriota", indicou, no sábado, o Ministério em comunicado, reafirmando a oposição da França à pena de morte “em todo o lado e em todas as circunstâncias” e apelando para a “abolição universal”.
“Lamentamos particularmente que a defesa de Chan não tenha tido acesso à última audiência no tribunal, o que constitui uma violação dos direitos do interessado”, acrescentou na mesma nota.
Inicialmente condenado a prisão perpétua após a detenção em 2005, Chan Thao Phoumy foi julgado novamente após o surgimento de "novos elementos" e condenado à pena de morte por um tribunal de Cantão por fabrico, transporte, contrabando e tráfico de metanfetamina.
Chan Thao Phoumy era acusado de fazer parte de uma rede que, entre 1999 e 2003, teria produzido, na China, toneladas desta droga sintética.
Questionado hoje sobre o caso de Chan Thao Phoumy, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês não comentou pormenores do caso.
“A luta contra os crimes relacionados com o tráfico de droga é da responsabilidade de todos os Estados”, de acordo com um comunicado enviado à agência de notícias France-Presse (AFP).
A China “trata os arguidos de diferentes nacionalidades da mesma forma, gere os casos de forma rigorosa e equitativa, em conformidade com a lei, e protege os direitos e o tratamento jurídico das partes envolvidas”, indicou a diplomacia chinesa na mesma nota.
Dados da associação Ensemble contre la peine de mort (ECPM, Juntos contra a pena de morte numa tradução livre) de 2025 indicaram que Chan Thao Phoumy integrava um grupo de quatro franceses condenados à morte em todo o mundo, juntamente com Nora Lalam, condenada em 2005 na Argélia, e Stéphane Aït Idir e Redouane Hammadi, condenados em Marrocos pelo atentado de Marraquexe em 1994.
Outro francês condenado à morte na Indonésia em 2007, Serge Atlaoui, foi transferido para França em fevereiro de 2025 após um acordo diplomático, e a justiça francesa comutou a pena para 30 anos de reclusão, tendo saído da prisão em julho.
No último relatório sobre a pena de morte, de 2024, a organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional estimou que a China é “o país do mundo que mais execuções realizou”, com “milhares de pessoas condenadas à morte e executadas” todos os anos.
A China não divulga estatísticas oficiais sobre o recurso à pena de morte, por as considerar segredo de Estado.
Inforpress/Lusa/Fim
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