
Cidade da Praia, 18 Fev (Inforpress) – O último dia da tradicional Feira de Cinza, na cidade da Praia, registou menor movimentação do que o habitual, apesar de muitos consumidores terem deixado para a última hora as compras para o tradicional almoço de Cinzas.
Numa ronda efectuada hoje pela Inforpress, constatou-se que, ao contrário de anos anteriores, o fluxo de pessoas era moderado nas primeiras horas da manhã desta Quarta-Feira de Cinzas.
Alguns vendedores confirmaram uma diminuição no número de clientes, atribuindo a situação às dificuldades económicas e à antecipação das compras por parte de algumas famílias.
Entretanto, vários consumidores ouvidos no local manifestaram preocupação com o aumento dos preços de certos produtos, com destaque para a couve, ingrediente essencial para a preparação do almoço de Cinzas.
“O preço da couve está muito alto, 450 a 500 escudos o quilo, em comparação com os outros anos”, lamentou Anilda Tavares, que, ainda assim, garantiu não abdicar da tradição.
Para Anilda Tavares, couve e peixe seco não podem faltar na mesa de Cinzas.
Por outro lado, registou-se uma descida no preço do peixe seco, outro produto bastante procurado nesta época.
Alguns comerciantes explicaram que a maior oferta contribuiu para a redução dos valores, permitindo aos clientes adquirir o produto a preços mais acessíveis.
Segundo a comerciante Maria de Lurdes, hoje a movimentação para a compra de verduras está melhor, mas, no caso do famoso peixe seco, é muito fraca, porque muitos preferiram comprar tudo ontem. Contudo, hoje o preço do peixe registou alguma diminuição.
“Ontem o valor era de 1.200 a 1.300 escudos, hoje a maioria tem o preço mais acessível de 1.000 escudos”, vincou Maria de Lurdes.
Apesar da fraca movimentação, os vendedores mostraram-se confiantes de que, ao longo do dia, poderá haver maior procura, tendo em conta que muitas famílias mantêm o hábito de realizar as compras no próprio dia da celebração.
Por seu turno, Elisângela da Veiga, que se encontrava no recinto a fazer compras, disse à nossa reportagem que já é hábito os cabo-verdianos deixarem tudo para a última hora. Por isso, considerou que ainda tinha tempo para o fazer.
Acrescentou que, mesmo sendo o último dia, conseguiu encontrar tudo o que procurava, mas lamentou os preços dos alimentos.
“Já há muito que esquecemos o que é colocarmo-nos no lugar do outro. Muitos não têm condições de realizar a tradicional festa de Cinzas por causa dos preços altos destes alimentos. O comerciante aproveita este dia para uma subida exagerada dos preços”, criticou.
Contudo, deixou a mensagem de que todos possam ter uma santa Cinza junto da sua família, pois este é um momento de reflexão e união e ninguém deveria ficar de fora num dia como este.
Recorde-se que hoje se assinala a Quarta-Feira de Cinzas, data que marca o início da Quaresma no calendário cristão e é tradicionalmente celebrada com um almoço em família, onde não faltam pratos à base de peixe seco e couve.
JBR/JMV
Inforpress/Fim
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