
Cidade da Praia, 10 Fev (Inforpress) – O PAICV criticou hoje a concessão de um novo aval do Estado à TACV, no valor de 3,2 milhões de contos, considerando que a medida representa uma forma “encapuçada” de financiamento da companhia através do Tesouro Público.
O deputado Julião Varela falava em conferência de imprensa para o balanço das jornadas parlamentares preparatórias da primeira sessão plenária do mês de Fevereiro, que decorre a partir desta quarta-feira, 11.
Para o parlamentar, na prática é o Estado quem está a financiar a transportadora aérea, defendendo que a empresa não terá capacidade para reembolsar os compromissos assumidos.
Segundo Julião Varela, desde 2018 o Governo tem suportado encargos significativos com a TACV, referindo que, naquele ano, eram pagos cerca de 10 mil contos por dia e, em 2019, cerca de seis mil contos diários, mesmo após o processo de privatização.
Lembrou ainda que o executivo concedeu garantias à Icelandair, no âmbito da parceria estabelecida, questionando quem assumirá o pagamento dos empréstimos contraídos, após a saída da empresa do capital da transportadora.
Para o deputado, a actual TACV funciona praticamente como uma “administração financiada pelo Estado”, sustentando que a estratégia adoptada não foi recomendada por organizações internacionais que, segundo disse, defendiam maior aposta nas rotas domésticas para potenciar o turismo inter-ilhas.
“Se não atribuírem, a TACV fecha a porta, porque não foi preparada, não está talhada, efectivamente, para exercer a sua função enquanto empresa”, disse, avançando que a estratégia foi imposta pelo Governo e o Governo é que está a assumir essas responsabilidades.
No entender do PAICV, o Governo tem estado a insistir e as organizações internacionais recomendam investimentos na rota doméstica para poder aproveitar o turismo, alargá-la a outras ilhas bem como a nível internacional.
O Governo concedeu um aval de 3,2 milhões de contos (3.207.323.000$00) à TACV para a emissão de um empréstimo obrigacionista na Bolsa de Valores, destinado ao reforço da sustentabilidade financeira da empresa.
A decisão, que foi aprovada em Conselho de Ministros no dia 06 de Fevereiro de 2026, consta do Boletim Oficial desta segunda-feira, 09 de Fevereiro, e enquadra-se no processo de estabilização e reestruturação financeira da companhia aérea de bandeira nacional.
Para o Governo, a TACV assume um papel estratégico na política de transportes do País, na promoção da conectividade aérea, no desenvolvimento do turismo e na afirmação de Cabo Verde como plataforma internacional de negócios no Atlântico Médio.
LT/HF
Inforpress/Fim
Partilhar