Santiago Norte: Declaração de Santa Cruz reforça unidade política e centralidade atlântica da Macaronésia, dizem parlamentares

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Santiago Norte: Declaração de Santa Cruz reforça unidade política e centralidade atlântica da Macaronésia, dizem parlamentares
06/02/26 - 11:05 pm

Pedra Badejo, 06 Fev (Inforpress) – Os parlamentares da Macaronésia reagiram hoje, em Santa Cruz, à Declaração Final das X Jornadas Parlamentares Atlânticas, sublinhando unidade política, cooperação reforçada e centralidade atlântica, num documento considerado “estratégico” para enfrentar desafios geopolíticos, económicos e ambientais comuns regionais.

As reações dos representantes parlamentares presentes no acto de encerramento das X Jornadas Parlamentares Atlânticas convergiram na valorização da Declaração de Santa Cruz como um “instrumento político orientador”, capaz de traduzir em acção concreta a visão comum dos arquipélagos atlânticos da Macaronésia, num contexto internacional marcado por profundas transformações.

O vice-presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Emanuel Barbosa, considerou que os trabalhos das X Jornadas Parlamentares Atlânticas foram concluídos com “grande satisfação”, realçando a retoma do encontro após a interrupção provocada pela pandemia e os resultados alcançados pelos vários grupos de trabalho.

Na sua avaliação, os debates permitiram uma reflexão aprofundada sobre matérias de interesse comum e reforçaram o valor estratégico das Jornadas enquanto espaço privilegiado de diplomacia parlamentar e concertação política no espaço atlântico.

Segundo Emanuel Barbosa, o encontro contribuiu para fortalecer a identidade histórica, cultural e humana partilhada entre os arquipélagos da Macaronésia, bem como a consciência colectiva da necessidade de uma ação concertada para enfrentar desafios estruturais comuns, como a insularidade, a descontinuidade territorial, o afastamento dos grandes centros de decisão e a vulnerabilidade económica.

Defendeu, neste quadro, respostas políticas diferenciadas, mas solidárias e inovadoras, assentes numa visão estratégica de longo prazo.

O vice-presidente da Assembleia Nacional sublinhou ainda que as Jornadas afirmaram- se, uma vez mais, como uma plataforma de reflexão crítica e qualificada, orientada para a ação conjunta, com enfoque na competitividade, na resiliência, na coesão territorial e no desenvolvimento sustentável do espaço atlântico, valorizando a sua posição geoestratégica enquanto ponte natural entre a Europa e a África.

A assinatura da Declaração de Santa Cruz, acrescentou, consagra compromissos concretos que devem ter reflexos no quotidiano político até à próxima edição do encontro.

Por seu lado, o presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia, destacou o ambiente de proximidade vivido durante os trabalhos e elogiou a qualidade das conclusões apresentadas, considerando que a Declaração Final constitui um verdadeiro programa de acção para a afirmação de uma Macaronésia desenvolvida, competitiva e resiliente.

Luís Garcia defendeu que os territórios atlânticos não devem ser vistos como periféricos, mas como centrais no espaço atlântico e europeu, sublinhando a sua relevância estratégica em áreas como a segurança, a economia do mar, a conectividade digital, a ciência, a vigilância marítima e o setor espacial.

Para o responsável açoriano, a unidade expressa na Declaração é determinante para a defesa das especificidades das regiões ultraperiféricas no quadro financeiro da União Europeia.

A presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Rubina Leal, afirmou que as Jornadas demonstraram que o Atlântico é sobretudo um factor de união entre os povos.

Destacou que o encontro ultrapassa o plano académico, assumindo-se como um instrumento político de diálogo estruturado e de compromisso coletivo com o futuro dos territórios atlânticos, defendendo a integração das recomendações da Declaração de Santa Cruz nas agendas legislativas de cada parlamento.

Já o vice-presidente do Parlamento das Canárias, Gustavo Matos, considerou que foi produzido um documento robusto, que deve agora ser encarado como uma oportunidade, salientando que, no actual contexto geopolítico, as regiões ultraperiféricas podem afirmar o seu valor estratégico.

Matos defendeu a unidade como essencial para garantir uma só voz na defesa das especificidades destes territórios no quadro financeiro europeu, lembrando que a solidariedade é um dos princípios fundadores da União Europeia.

As X Jornadas Parlamentares Atlânticas, que iniciaram na quinta-feira, 05, e terminaram hoje, sob o lema “Por uma agenda além da fronteira”, visam promover a concertação política e a reflexão estratégica entre os parlamentos da Macaronésia.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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