
Cidade da Praia, 02 Fev (Inforpress) – O ministro da Saúde contestou hoje a existência de um surto activo de shigelose que tenha afectado turistas britânicos que estiveram na ilha do Sal, sublinhando que “não existem evidências epidemiológicas públicas” que confirmem tal situação.
“Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto activo, e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na referida notícia”, afirmou Jorge Figueiredo, em conferência de imprensa, reiterando que a informação divulgada numa reportagem internacional carece de base científica comprovada.
Em causa está uma reportagem publicada no domingo, 01 de Fevereiro, por um jornal britânico, com o título ‘Famílias de turistas britânicos mortos por infecção em Cabo Verde recorrem à Justiça’.
O governante considerou o tratamento dado ao tema grave, desproporcional e susceptível de gerar percepções alarmistas injustificadas, tanto em relação ao Serviço Nacional de Saúde como à imagem de Cabo Verde, país “reconhecido” pela sua estabilidade, segurança e progressos consistentes nos principais indicadores de saúde pública.
Segundo o ministro, dados oficiais das autoridades competentes do Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo a shigelose, “não figuram entre as causas relevantes” de mortalidade dos referidos turistas.
“Trata-se de um evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica. Os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados”, esclareceu.
Jorge Figueiredo acrescentou que a mera coincidência temporal entre a viagem e o surgimento da doença “não constitui prova de causalidade”, salientando que a determinação de um nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa, procedimentos que, segundo disse, “não foram realizados”.
Para o ministro da Saúde, esses elementos não podem resultar de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso.
Relativamente aos processos judiciais citados na reportagem internacional, explicou que estes são dirigidos a uma cadeia hoteleira privada, a qual tem a obrigação de cumprir integralmente as normas sanitárias nacionais, rejeitando que alegações individuais apresentadas no estrangeiro sejam generalizadas ou utilizadas para pôr em causa o sistema nacional de saúde e a imagem do país.
A instituição defende ainda que interesses particulares não podem sobrepor-se à evidência científica nem comprometer a reputação construída por Cabo Verde ao longo de décadas.
Conforme avançou Jorge Figueiredo, o Ministério da Saúde acompanha o caso com a devida atenção e, desde o final de 2025, accionou os serviços competentes para a realização de uma investigação técnica rigorosa, envolvendo a Rede Nacional de Laboratórios, os serviços de vigilância e segurança alimentar, a Entidade Reguladora da Saúde e a Inspecção-Geral das Actividades Económicas, assegurando uma avaliação cuidada das condições sanitárias e operacionais.
O ministro reforçou que Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica “sólido e reconhecido” por parceiros internacionais, resultado dos avanços no controlo de doenças transmissíveis, na melhoria do saneamento, no reforço da segurança alimentar e no fortalecimento institucional, factores que colocam o país entre os “mais seguros” do continente africano em matéria sanitária e contribuem para a confiança de investidores e visitantes.
Por fim, reafirmou o compromisso do Governo com o rigor, a responsabilidade técnica e a transparência, garantindo que continuará a defender a credibilidade do Serviço Nacional de Saúde e a reputação de Cabo Verde enquanto destino seguro e Estado alinhado com os padrões sanitários internacionais.
O responsável adiantou ainda que o Ministério da Saúde irá enviar um comunicado à imprensa internacional para esclarecimento dos factos.
DG/JMV
Inforpress/Fim
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