São Filipe, 05 Mar (Inforpress) - A Universidade de Santiago (US), através do programa “Rotas do Arquipélago”, promoveu hoje, 05 de Março, na cidade de São Filipe, um workshop sobre “acção climática e sustentabilidade ambiental” para estudantes e comunidade local.
O workshop, cujo orador foi o professor Pedro Matos, tinha como objectivo dialogar com estudantes e a comunidade local sobre a urgência de enfrentar as mudanças climáticas, uma matéria que a universidade tem abraçado como prioridade em suas pesquisas e iniciativas de socialização.
O professor Pedro Matos destacou a importância de Cabo Verde, um “país altamente vulnerável” aos efeitos das mudanças climáticas, adoptar uma agenda endógena e transversal para lidar com o problema.
"As mudanças climáticas já são uma realidade cristalizada aqui, especialmente num país com a configuração de Cabo Verde, que enfrenta múltiplas vulnerabilidades. Precisamos tratar isso como uma pauta prioritária, desde a escola primária até a universidade", afirmou.
Pedro Matos ressaltou que, embora Cabo Verde seja um dos menores emissores de gases de efeito estufa no mundo, o país está entre os que mais sofrem os impactos directos das mudanças climáticas.
"Não somos responsáveis pela maior parte das emissões, mas isso não significa que devemos ignorar a agenda climática. Pelo contrário, precisamos liderar pelo exemplo, pois somos directamente afectados, especialmente em sectores estruturantes como o turismo e a agricultura", explicou.
O professor também criticou a falta de uma agenda climática integrada e contínua no país e defendeu que o arquipélago está “atrasado e que ainda parece que essa é uma agenda impulsionada por parceiros internacionais, e não por iniciativa própria”.
Segundo o professorl, o país precisa de uma abordagem que envolva todas as ilhas e que promova formação, capacitação e análise de soluções durante todo o ano.
Durante o evento, foram discutidas práticas sustentáveis, como o uso consciente da água, que já são adotadas por muitas comunidades, mas o professor enfatizou que essas acções precisam ser ampliadas e integradas às políticas públicas.
"As mudanças climáticas não podem ser tratadas como uma agenda paralela. Elas precisam ser centrais, especialmente em um país como Cabo Verde, onde o clima já é uma questão estrutural", afirmou.
O workshop também abordou a necessidade de o Estado dar o exemplo, adotando medidas como a utilização de transportes públicos, a redução do consumo de energia em edifícios públicos e a diminuição do uso de papel na comunicação governamental.
"Todas essas acções têm um impacto significativo, não apenas no clima, mas também na gestão dos recursos, que são cada vez mais escassos", destacou Pedro Matos, sublinhando a importância de realização de estudos que quantifiquem as perdas económicas causadas pelas mudanças climáticas no país.
"Talvez isso desperte a sociedade de forma mais enérgica para a urgência dessa agenda", sublinhou o professor.
O workshop reforça o compromisso da Universidade de Santiago em promover a conscientização e a acção climática, buscando soluções adaptativas e sustentáveis para um dos maiores desafios do século XXI.
JR/JMV
Inforpress/Fim
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