Produtor cultural aponta dificuldades de financiamento e falta de confiança nos jovens (c/áudio)

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Produtor cultural aponta dificuldades de financiamento e falta de confiança nos jovens (c/áudio)
03/11/26 - 04:21 pm

Cidade da Praia, 03 Nov (Inforpress) – O produtor cultural Admirio Inocêncio alertou hoje para as dificuldades de financiamento e reconhecimento enfrentadas pelos jovens na concretização de projectos culturais e defendeu maior envolvimento institucional das empresas e do Governo no seu apoio. 

Em entrevista à Inforpress, o responsável pelo Master Cordas e pelo concerto solidário “Ritmos No Borders”, que vai ter lugar no dia 7 de Novembro, na Assembleia Nacional, afirmou que, apesar da capacidade e iniciativa demonstradas pelos jovens, persiste a percepção de que estes estão sobretudo vocacionados para organizar festas, o que dificulta a conquista de confiança junto de instituições públicas e privadas.

“Quando há um jovem que encara o desafio de organizar concertos com tamanha responsabilidade, a primeira barreira é saber se será capaz de fazer”, relatou, lembrando as dúvidas que enfrentou quando começou a organizar o Master Cordas.

Segundo Admirio Inocêncio, a realização de projectos culturais implica despesas consideráveis, desde deslocações e alojamento de artistas à montagem de equipamentos de som, iluminação e estruturas, passando pelos transportes, equipas técnicas e outras necessidades logísticas. 

Como exemplo, referiu que apenas a deslocação dos oito integrantes do grupo Cordas do Sol, de Santo Antão para a Cidade da Praia, poderá ultrapassar os 200 mil escudos, valor que não inclui outras despesas associadas à participação do grupo. 

O produtor explicou que, apesar da natureza solidária do concerto, a organização tem de assegurar gratificações aos artistas e convidados, além de suportar os custos técnicos e operacionais necessários à realização do espectáculo. 

Admirio Inocêncio considera que os projectos culturais com dimensão social deveriam merecer maior atenção das instituições, sobretudo quando contribuem para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade.

Na sua perspectiva, a mobilização de recursos não deve depender exclusivamente da iniciativa dos promotores, mas também de políticas públicas capazes de incentivar empresas públicas e privadas a apoiar projectos culturais e sociais.

O responsável defendeu igualmente que o apoio institucional deve abranger diferentes iniciativas e organizações, tendo em conta a diversidade de projectos existentes no país e o seu potencial para produzir mudanças na sociedade.

Apesar dos constrangimentos, Admirio Inocêncio manifestou intenção de continuar a desenvolver os dois projectos, o Master Cordas, que se encontra na quarta edição, e o “Ritmos No Borders”, que realiza este ano a segunda edição.

O produtor reconheceu, contudo, que a criação de novas iniciativas dependerá da capacidade de mobilizar financiamento e parceiros, considerando que a realização de projectos culturais exige recursos que nem sempre estão disponíveis.

KA/JMV

Inforpress/Fim

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