
Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – Imigrantes em Cabo Verde consideram que as dificuldades de comunicação constituem um dos principais obstáculos à vida quotidiana e defendem a aprendizagem da língua portuguesa como essencial para a integração social e profissional.
Imigrantes apontam língua portuguesa como essencial para integração social e profissional em Cabo Verde
Cidade da Praia Praia, 26 Out (Inforpress) – Os imigrantes em Cabo Verde apontam as dificuldades de comunicação como um dos principais obstáculos à sua vida quotidiana e consideram a aprendizagem da língua portuguesa como uma ferramenta essencial para facilitar a integração social e profissional.
A preocupação foi manifestada em declarações à imprensa por dois participantes do Curso de Língua Portuguesa – Nível Básico A1, promovido pela Alta Autoridade para a Imigração (AAI), em parceria com a Direcção Nacional da Educação, no âmbito do Projecto Comunica, que teve hoje o seu lançamento na cidade da Praia.
Cruzsome Poteizgafrancceline, natural do Burkina Faso e a residir no país há 11 anos, explicou que as dificuldades linguísticas condicionam o exercício das suas funções, nomeadamente no acompanhamento de delegações do seu país em Cabo Verde.
“É muito necessário conseguir falar a língua portuguesa, porque vai ajudar-me muito, por exemplo, com reservas no hotel ou no acompanhamento das visitas”, afirmou, considerando que o curso poderá facilitar a comunicação e a realização das suas actividades profissionais.
Por sua vez, Emosu Olusola, cidadão nigeriano residente em Cabo Verde, disse que a falta de domínio do português e do crioulo constitui uma barreira no trabalho e na formação profissional.
“Estou a trabalhar numa empresa de limpeza, mas não consigo comunicar por não falar português ou crioulo. Uma aula como esta ajuda-me muito”, declarou, acrescentando que espera melhorar as suas competências linguísticas e, consequentemente, aceder a melhores oportunidades de emprego.
O participante, que vive no país desde Fevereiro de 2024, manifestou satisfação com a iniciativa, afirmando que a aprendizagem do português poderá ajudá-lo a comunicar melhor no quotidiano e a aproveitar as oportunidades de formação disponíveis.
A presidente da AAI, Carmem Barros, explicou que o curso se enquadra no Projecto Comunica, desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação, que visa reforçar as competências linguísticas dos cidadãos estrangeiros e imigrantes, tanto em língua portuguesa como em língua cabo-verdiana.
Segundo a responsável, a iniciativa pretende proporcionar maior autonomia aos imigrantes no contacto com os serviços, facilitar a compreensão das regras e do funcionamento das instituições e promover a inclusão económica e profissional.
“Acima de tudo, [pretendemos] facilitar a integração dos cidadãos estrangeiros em Cabo Verde por via da língua”, sublinhou Carmem Barros, destacando também a importância do domínio do português para o acesso à formação profissional, cujos materiais exigem uma compreensão mínima da língua.
Nesta primeira edição, o curso abrange 109 beneficiários, dos quais 52 na cidade da Praia e 57 na ilha do Sal, distribuídos por Espargos e Santa Maria, representando 12 nacionalidades, entre as quais Nigéria, Gana, Gâmbia, Togo, Burkina Faso, Senegal, Ucrânia e França.
A presidente da AAI adiantou ainda que está prevista a abertura de um concurso para a constituição de turmas em São Vicente, Boa Vista e no norte de Santiago, zonas com maior concentração de população estrangeira e imigrante.
A iniciativa tem o apoio do Programa de Cooperação Transfronteiriça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
DR/JMV
Inforpress/fim
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