Boa Vista: Utentes da Conservatória denunciam demoras e pedem reforço urgente de funcionários

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Boa Vista: Utentes da Conservatória denunciam demoras e pedem reforço urgente de funcionários
15/09/26 - 07:11 pm

Sal Rei, 15 Set (Inforpress) – Utentes da Conservatória dos Registos e Cartório Notarial da Boa Vista voltaram hoje a denunciar demoras no atendimento e a insuficiência de funcionários, agravada pela transferência de trabalhadores, e pediram um reforço urgente.

Nos últimos tempos, vários munícipes têm manifestado, em diferentes plataformas, o seu descontentamento com o funcionamento daquela repartição pública, apontando para atrasos que, em alguns casos, obrigam os utentes a esperar mais de duas horas para tratar de procedimentos considerados simples.

Em declarações à imprensa, Francisca Rocha relatou ter aguardado mais de duas horas para efectuar o reconhecimento de uma assinatura e criticou a sobrecarga dos poucos funcionários ao serviço.

“Cheguei por volta das 10:00 e só saí depois do meio-dia. Apenas um funcionário estava a atender tudo no balcão, desde a entrega de documentos a outros serviços do cartório. Nota-se o esforço do trabalhador, mas ter uma única pessoa para responder a toda a procura não é normal”, afirmou.

O descontentamento é igualmente manifestado pelo munícipe Carlos Morais, que classificou a situação como “inadmissível e inconcebível”, considerando que existe um desfasamento entre o crescimento populacional da ilha e os meios disponibilizados à administração pública.

O utente disse ainda ter apresentado uma reclamação formal à instituição, em meados de Junho, tendo recebido como resposta que estava em curso o recrutamento de dois técnicos, medida que, segundo afirmou, ainda não se concretizou.

“A 12 de Junho fiz uma reclamação formal e responderam-me que decorria o recrutamento de dois técnicos. Hoje é 15 de Setembro e tudo continua na mesma. Na minha opinião, os técnicos que lá estão são competentes, mas as pessoas não podem passar um dia inteiro dentro de um serviço. É preciso que a sociedade civil da Boa Vista seja mais reivindicativa”, defendeu.

Por seu turno, Joana Évora alertou para o impacto que os constrangimentos no funcionamento do cartório podem ter na actividade económica e na atracção de investimentos para a ilha.

“Esta situação paralisa a vida dos utentes e condiciona os investidores. O Cartório é uma peça fundamental para o desenvolvimento da Boa Vista e o Governo tem de intervir com urgência”, afirmou.

A mesma fonte criticou ainda o que considera ser um sentimento de indiferença e abandono em relação à ilha, defendendo que o acesso a serviços públicos de qualidade constitui um direito dos cidadãos.

“Pagamos os nossos impostos e não estamos a pedir nenhum favor, exigimos apenas um direito que nos assiste. Não podemos continuar a ter a Boa Vista esquecida”, afirmou, defendendo que a ilha deve beneficiar das mesmas condições de funcionamento dos serviços públicos existentes noutras partes do país.

MGL/JMV

Inforpress/Fim

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