Setembro Amarelo: Psicóloga alerta para importância do acompanhamento após tentativa de suicídio

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Setembro Amarelo: Psicóloga alerta para importância do acompanhamento após tentativa de suicídio
11/09/26 - 06:55 pm

Cidade da Praia, 11 Set (Inforpress) – O acompanhamento psicológico e psiquiátrico, aliado ao apoio familiar e à criação de uma rede de protecção, é fundamental para reduzir o risco de novas crises após uma tentativa de suicídio, alertou hoje a psicóloga Ana Lissa Teixeira.

Segundo a especialista, uma tentativa de suicídio constitui uma “manifestação de sofrimento psíquico profundo” e, mesmo ultrapassado o momento de crise, a dor que esteve na origem da situação pode permanecer, exigindo acompanhamento contínuo.

Ana Lissa Teixeira explica que o processo de acompanhamento deve assentar em dois pilares: a garantia da segurança clínica e a reconstrução da rede de apoio.

No primeiro caso, defende a criação de um plano de segurança individual, que permita identificar factores susceptíveis de desencadear uma nova crise, estabelecer estratégias para lidar com esses momentos e definir contactos de emergência a utilizar em situações de maior risco.

A psicóloga considera igualmente indispensável o acompanhamento por profissionais de saúde mental, através de psicoterapia e, quando necessário, de acompanhamento psiquiátrico e tratamento farmacológico adequado.

Para a especialista, a recuperação não depende apenas da intervenção profissional, sendo igualmente importante a presença da família e de amigos próximos.

A escuta sem julgamento, a atenção às mudanças de comportamento e uma presença regular podem constituir factores de protecção para pessoas que atravessam períodos de sofrimento psicológico.

Ana Lissa Teixeira destaca ainda a importância dos grupos de apoio, por permitirem o contacto com pessoas que passaram por experiências semelhantes, contribuindo para reduzir o isolamento, o estigma e o sentimento de solidão.

A psicóloga alerta, entretanto, que há situações em que o apoio informal deixa de ser suficiente e a intervenção profissional deve ser procurada de imediato.

Entre os principais sinais de alerta aponta manifestações de desesperança extrema, pensamentos relacionados com a morte ou intenção de autoagressão, alterações intensas da percepção da realidade, isolamento severo e consumo excessivo de substâncias.

Perante uma suspeita de risco de suicídio, recomenda que familiares ou pessoas próximas conversem com a pessoa, procurem compreender o que está a sentir e mantenham uma postura calma e sem julgamentos.

A especialista defende também a adopção de medidas para garantir a segurança da pessoa, incluindo a redução do acesso a meios que possam ser utilizados para autoagressão e a manutenção de acompanhamento próximo durante uma situação de crise.

Nos casos de risco iminente, orienta para a procura imediata de assistência profissional e para o accionamento dos serviços de emergência.

Para Ana Lissa Teixeira, o processo de recuperação é gradual e passa pela reconstrução da esperança, do sentido de vida e do sentimento de pertença, pelo que o acompanhamento não deve terminar com o fim da crise.

Os dados oficiais disponíveis evidenciam a dimensão do fenómeno em Cabo Verde. Segundo o Ministério da Saúde, o país regista, em média, cerca de 50 mortes por suicídio por ano, tendo a taxa passado de 18 casos por 100 mil habitantes, em 2013, para cerca de 15 por 100 mil, em 2019.

O Relatório Estatístico do Ministério da Saúde referente a 2022 contabilizou 52 mortes por suicídio, contra 37 no ano anterior. Do total registado em 2022, 47 eram homens e cinco mulheres, representando uma clara predominância masculina entre as vítimas.

O Ministério da Saúde considera o suicídio um problema de saúde pública e tem defendido o reforço da identificação precoce de situações de risco, do acompanhamento dos casos e das respostas de saúde mental no país.

Num mês dedicado à valorização da vida e à prevenção do suicídio, a psicóloga reforça a importância de reconhecer os sinais de sofrimento psicológico, procurar ajuda especializada atempadamente e fortalecer as redes de apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade.

KA/JMV

Inforpress/Fim

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