Fogo/Acidente: Psicólogos desaconselham adiamento do início do ano lectivo por causa da tragédia

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Fogo/Acidente: Psicólogos desaconselham adiamento do início do ano lectivo por causa da tragédia
11/09/26 - 12:51 pm

São Filipe, 11 Set (Inforpress) - Psicólogos que integram as equipas de apoio às comunidades afectadas pelo acidente de 05 de Setembro, no Fogo, desaconselham o adiamento do início do ano lectivo, considerando que o regresso às aulas pode contribuir para a recuperação das crianças.

O ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda, informou hoje que a recomendação dos psicólogos é para que o início das aulas não seja adiado por mais uma semana, embora a situação de cada criança deva ser avaliada individualmente.

“Não devemos adiar o início do ano lectivo”, afirmou o porta-voz, que explicou que as crianças que demonstrarem receio ou recusarem regressar às aulas poderão ter o seu início adiado, enquanto para aquelas que desejarem voltar à escola o regresso poderá ser benéfico.

Segundo Lúcio Miranda, a presença dos amigos e colegas na escola poderá contribuir para o processo de recuperação psicológica das crianças afectadas pelo acidente.

Lúcio Miranda indicou que os ministérios da Família e da Educação estão a analisar a questão para encontrar a melhor solução, tendo em conta a situação particular de cada criança.

O ministro anunciou ainda que as equipas de apoio psicossocial continuarão no terreno para acompanhar os sobreviventes, os feridos internados, as famílias que perderam familiares e as que têm pessoas feridas.

Parte da actual equipa deverá regressar sábado à cidade da Praia, sendo substituída na segunda-feira por uma nova equipa, que permanecerá na ilha durante um mês.

O plano de acompanhamento poderá ser prolongado até três meses, dependendo das necessidades identificadas no terreno.

Antes do início das aulas está prevista também uma formação dirigida aos professores das comunidades afectadas, condutores que transportam alunos e auxiliares das escolas, bem como à comunidade em geral, com o objectivo de melhorar a forma de lidar com os sobreviventes e respectivas famílias.

Lúcio Miranda apelou igualmente à população para evitar abordagens aos sobreviventes, sobretudo crianças, relacionadas com o acidente, bem como pedidos de fotografias ou perguntas sobre o sucedido.

“Quanto menos falar sobre o acidente, melhor para elas”, afirmou o porta-voz do Gabinete de Crise que alertou que comportamentos dessa natureza podem agravar o sofrimento psicológico das crianças e interferir no seu processo normal de recuperação.

Além dos psicólogos, equipas médicas estão a deslocar-se às residências de pessoas identificadas como necessitando de acompanhamento clínico e o hospital, a câmara, o Ministério da Família, a Protecção Civil e a Polícia Nacional estão envolvidos no processo de apoio às famílias.

Relativamente ao local do acidente, o porta-voz do Gabinete de Crise apelou à população para não se deslocar à zona, sobretudo durante o fim-de-semana, para tirar fotografias ou observar o autocarro, devido ao risco de novos acidentes.

Parte do acesso ao local já foi vedada e a Polícia Nacional reforçará a vedação e manterá presença permanente no local para impedir aglomerações e garantir a segurança.

JR/CP

Inforpress/Fim

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