Santa Catarina transforma Setembro Amarelo em apelo à conversa e prevenção do suicídio

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Santa Catarina transforma Setembro Amarelo em apelo à conversa e prevenção do suicídio
07/09/26 - 06:51 pm

Assomada, 07 Set (Inforpress) – A Delegacia de Saúde de Santa Catarina está a promover, durante Setembro, actividades de sensibilização para a prevenção do suicídio, com foco na importância do diálogo, da escuta e da identificação de sinais de alerta.

Balões amarelos, fitas e mensagens espalhadas pelas paredes marcam o ambiente da instituição, incluindo a banca de urgência e outros espaços de maior circulação, numa iniciativa que pretende levar o tema para além do simbolismo da campanha.

Segundo a psicóloga clínica e coordenadora do programa de Saúde Mental da Delegacia de Saúde de Santa Catarina, Maria Nascimento Semedo, a decoração procura despertar a curiosidade, iniciar conversas e sensibilizar as pessoas para a importância de saber ouvir e estar atento ao outro.

Os próprios funcionários participam na dinâmica, aproveitando o contacto com os utentes para abordar questões relacionadas com a saúde mental e a prevenção do suicídio.

Sob o lema internacional “Mudar a narrativa sobre o suicídio” e o apelo “Comece a conversa”, a Delegacia de Saúde preparou um conjunto de actividades destinadas a profissionais de saúde, utentes, familiares e diferentes grupos da comunidade.

Para o dia 09 está prevista uma sessão-relâmpago dirigida aos profissionais de saúde, centrada na importância da notificação dos casos de tentativa de suicídio e de suicídio.

A iniciativa pretende reforçar o conhecimento sobre os procedimentos de notificação, considerados fundamentais para a produção de dados que permitam compreender a dimensão do fenómeno e orientar futuras intervenções.

No dia 10, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, serão realizadas actividades de sensibilização dirigidas aos utentes e à sociedade em geral.

A programação contempla ainda acções junto de familiares de pessoas com doença mental, uma conversa aberta com gestantes, intervenções junto do grupo de alcoólicos e actividades em diferentes localidades do município.

A aposta em públicos diversificados traduz, segundo Maria Nascimento Semedo, a necessidade de retirar a discussão sobre saúde mental dos consultórios e levá-la para os espaços onde as pessoas vivem, trabalham e convivem.

A psicóloga chama a atenção para a importância de reconhecer alterações no comportamento, apontando o isolamento, a perda de interesse por actividades anteriormente apreciadas e mudanças na forma habitual de comunicar como sinais que devem merecer atenção de familiares, amigos e da comunidade.

Entre as situações que podem aumentar a vulnerabilidade estão viver sozinho, enfrentar uma doença crónica ou alguma incapacidade, passar por uma separação, perder o emprego e consumir álcool ou outras drogas.

Maria Nascimento Semedo defende, por isso, uma cultura de proximidade, em que as pessoas se sintam encorajadas a perguntar como o outro está, escutar sem julgamento e encaminhar para ajuda profissional quando necessário.

A consulta de Psicologia da Delegacia de Saúde de Santa Catarina funciona diariamente e constitui uma das respostas disponíveis para as pessoas que procuram acompanhamento profissional.

Em Cabo Verde, dados da Estratégia de Prevenção do Suicídio indicam que, em 2020, foram registadas 49 mortes por suicídio, das quais 45 homens e quatro mulheres, correspondendo a uma taxa de mortalidade de 9,8 por 100 mil habitantes.

Entre 2011 e 2020, o número anual de mortes por suicídio oscilou entre 37 e 59 casos.

A mesma estratégia aponta uma redução da taxa de mortalidade por suicídio padronizada por idade, de 17,46 por 100 mil habitantes, em 2013, para 15,23 em 2019, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS estima que mais de 720 mil pessoas morram anualmente por suicídio em todo o mundo, considerando-o um importante problema de saúde pública.

Em 2026, a campanha internacional “Mudar a narrativa sobre o suicídio” chega ao seu último ano, procurando incentivar uma mudança na forma como a sociedade aborda o fenómeno e estimular as pessoas a iniciarem conversas sobre saúde mental e sofrimento psicológico.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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