
São Filipe, 06 Set (Inforpress) – O Governo vai assumir as despesas dos funerais das vítimas do acidente com um autocarro ocorrido sábado no trajecto entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, na ilha do Fogo, e suportar outros custos das famílias afectadas pela tragédia.
O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Saúde e porta-voz do gabinete de crise criado na sequência do acidente, Lúcio Miranda, após uma reunião de pouco mais de uma hora.
Segundo o governante, além das despesas dos funerais, o Estado vai assumir, nos próximos dias, alguns custos relacionados com as famílias das vítimas, incluindo as despesas de deslocação de familiares de primeiro grau que tenham de viajar da Praia para a ilha do Fogo.
“Temos de dar o maior apoio possível nos próximos dias”, afirmou Lúcio Miranda, explicando que o Governo está a trabalhar em articulação com a Câmara Municipal de São Filipe para identificar as necessidades de cada família e definir as formas de apoio.
O Executivo vai igualmente suportar as despesas de trasladação de uma das vítimas para a Praia, onde deverá ser posteriormente sepultada.
O ministro da Saúde informou que o acidente provocou já 25 mortes confirmadas, enquanto 14 pessoas permanecem internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis, quatro das quais em estado grave.
Lúcio Miranda considerou tratar-se do acidente com maior número de vítimas mortais registado num único dia em Cabo Verde, destacando ainda o facto de a maioria das vítimas ser constituída por adolescentes, o que, segundo afirmou, torna a tragédia ainda mais grave e dolorosa.
“O Fogo está de luto, Cabo Verde está de luto neste momento”, declarou o ministro, que aproveitou para agradecer à Protecção Civil, às câmaras municipais e, sobretudo, à população pelo envolvimento nas operações de resgate e socorro às vítimas.
Perante a situação clínica dos sobreviventes, o Governo mobilizou para a ilha uma equipa médica especializada, proveniente de São Vicente e Santiago, para reforçar os profissionais do Hospital Regional São Francisco de Assis.
A equipa integra neurocirurgiões, cirurgiões, reumatologistas, intensivistas, anestesistas e cardiologistas, além de enfermeiros com experiência em cuidados intensivos.
O principal objectivo, segundo Lúcio Miranda, é salvar as vidas dos pacientes internados, realizar diagnósticos mais precisos e avaliar os casos que necessitem de evacuação médica para Santiago ou outros centros com maior capacidade de resposta.
A ministra da Família deverá chegar ainda hoje à ilha, acompanhada por psicólogos e assistentes sociais, para prestar apoio às famílias e às pessoas afectadas pela tragédia.
A equipa do Ministério da Família deverá também reunir-se com a Câmara Municipal, considerada pelo Governo uma parceira fundamental, por estar mais próxima das populações e conhecer as necessidades das famílias.
Na sequência da tragédia, o Governo pretende reforçar os meios técnicos e humanos da Protecção Civil a nível nacional, com particular atenção à ilha do Fogo e à Região Fogo/Brava.
Lúcio Miranda revelou que o Executivo já vinha discutindo, há cerca de duas semanas, com os presidentes das câmaras municipais, a necessidade de aumentar a capacidade nacional de resposta em matéria de protecção civil.
Para o Fogo, está prevista ainda a chegada de uma ambulância 4x4 antes do final do ano. Trata-se de um veículo adaptado às características orográficas da ilha, que deverá reforçar a capacidade de transporte e assistência médica em zonas de difícil acesso.
O ministro adiantou que, além da assistência aos feridos e do apoio às famílias, as autoridades deverão visitar o local do acidente e continuar o acompanhamento directo das famílias enlutadas.
JR/JMV
Inforpress/Fim
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