Tarrafal: Lantuna regista primeiro ninho de tartaruga-verde em Ribeira da Prata e protege 51 ninhos

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Tarrafal: Lantuna regista primeiro ninho de tartaruga-verde em Ribeira da Prata e protege 51 ninhos
01/09/26 - 08:34 pm

Tarrafal, 01 Set (Inforpress) – A Associação Lantuna registou, pela primeira vez, um ninho de tartaruga-verde na praia de Ribeira da Prata, no Tarrafal, onde protege actualmente 51 ninhos durante a época de desova.

A informação foi avançada à Inforpress pela directora-executiva da Associação Lantuna, Ana Veiga, que explicou que a organização acompanha a época de desova desde 2020, através do patrulhamento das praias de Ribeira da Prata, Mangui, Prozela e Medrônio.

Este ano, o trabalho envolve um coordenador local, sete guardas e voluntários nacionais e internacionais, que percorrem as praias para identificar ninhos, acompanhar as fêmeas e reduzir os riscos de predação e de intervenção humana.

Em Ribeira da Prata, a associação dispõe de um viveiro de incubação para onde são transferidos os ninhos considerados vulneráveis, sobretudo quando estão ameaçados por cães, caranguejos ou inundações.

“Este ano, pela primeira vez desde que estamos a monitorizar lá, temos um ninho de tartaruga-verde”, revelou Ana Veiga, explicando que esta espécie é menos comum nas praias de desova de Cabo Verde.

O ninho registado contém 123 ovos e junta-se aos restantes 50 actualmente protegidos no viveiro, na sua maioria de tartaruga-comum (Caretta caretta).

A Lantuna mantém ainda patrulhas nas praias de Prozela, Medrônio e Mangui, enquanto, na Baía de Angra, acompanha a tartaruga-verde, uma vez que a área é considerada uma importante zona de alimentação desta espécie.

As acções de conservação incluem igualmente actividades de sensibilização junto das comunidades, nomeadamente palestras, jogos e campanhas de limpeza, com particular incidência sobre crianças e jovens.

Segundo Ana Veiga, a adesão tem sido positiva, embora ainda existam pessoas pouco sensibilizadas para os impactos da captura e do consumo de tartarugas.

“É necessário fazer mais acções de consciencialização sobre a importância de proteger esta espécie”, defendeu, sublinhando que o objectivo é envolver cada vez mais pessoas nas actividades de conservação.

Apesar dos esforços, a captura continua a preocupar a organização, que tem registado tartarugas mortas em diferentes pontos da ilha de Santiago, embora a ausência de presença permanente em algumas zonas dificulte a avaliação da dimensão do fenómeno.

A Lantuna espera terminar a campanha com uma boa taxa de eclosão dos ninhos e reforçar as acções de sensibilização, numa altura em que as fêmeas chegam às praias, muitas vezes durante a noite, para depositar os ovos.

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) é uma das cinco espécies de tartarugas marinhas registadas em Cabo Verde. A sua nidificação é menos frequente do que a da tartaruga-comum, embora a espécie utilize águas cabo-verdianas, incluindo a Baía de Angra, como zona de alimentação.

Em Cabo Verde, a captura, o transporte, a comercialização e o consumo de tartarugas marinhas ou dos seus derivados são proibidos. 

O Decreto Legislativo n.º 1/2018, de 21 de Maio, prevê penas de seis meses a três anos de prisão para actos tipificados como crime, reforçando a protecção da espécie.

A época de desova das tartarugas marinhas em Cabo Verde ocorre, em geral, entre Junho e Outubro, podendo prolongar-se até Novembro, dependendo da ilha e da espécie.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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