
Lisboa, 29 Ago (Inforpress) – A Associação Maense em Portugal (AMP) completa hoje 23 anos com um balanço “claramente positivo”, mas também com novos desafios, entre os quais o acesso à habitação, a integração, o acompanhamento dos estudantes e a renovação dos seus dirigentes.
A afirmação é do presidente da AMP, Carlos Frederico, que falava em entrevista à Inforpress a propósito dos 23 anos da criação desta organização sem fins lucrativos, fundada a 29 de Agosto de 2003, com o propósito de unir os maienses residentes em Portugal, manter viva a ligação à ilha do Maio e criar mecanismos de solidariedade entre os membros da comunidade.
Segundo aquele responsável, ao longo dos 23 anos, a associação, que lidera desde 2013, cresceu, profissionalizou parte da sua intervenção e alargou a sua área de actuação, passando a acompanhar estudantes, jovens, famílias, imigrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade, através de iniciativas nas áreas da educação, integração, apoio social e psicossocial, cidadania, cultura, juventude e cooperação institucional.
“Uma das nossas maiores conquistas foi, sem dúvida, a educação”, afirmou Carlos Frederico, destacando a criação de uma rede de cooperação com instituições portuguesas que permitiu a centenas de jovens cabo-verdianos frequentarem cursos profissionais, cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP), licenciaturas e mestrados.
Apesar dos avanços, salientou que os “desafios foram e continuam a ser enormes”, apontando o acesso à habitação, o custo de vida, a regularização documental, as dificuldades económicas, o abandono escolar e as situações de vulnerabilidade social como algumas das principais preocupações.
Sobre a evolução da comunidade maiense em Portugal, considerou que esta cresceu e se tornou “mais diversificada”, integrando estudantes, trabalhadores qualificados, empresários, famílias e uma segunda geração nascida ou criada no país.
“Já não estamos perante uma comunidade composta essencialmente por uma geração de emigrantes”, observou.
O crescimento da comunidade trouxe novas necessidades, entre as quais a participação cívica, a valorização profissional, o empreendedorismo, a saúde mental, o acompanhamento familiar e a preservação da identidade cultural entre as novas gerações, segundo Carlos Frederico.
O presidente da AMP fez questão de esclarecer, mais uma vez, que a AMP “não é uma associação de estudantes”, embora a educação tenha contribuído para dar “maior visibilidade” à sua intervenção, que abrange também outras áreas.
“No domínio da educação, fazemos um acompanhamento que começa muito antes da chegada do estudante a Portugal”, explicou, referindo-se ao apoio nas candidaturas, documentação, vistos, integração, alojamento e dificuldades académicas e sociais.
A associação pretende igualmente reforçar a sua intervenção social através do projecto DI NOS – Centro Integrado de Apoio à Diáspora Cabo-Verdiana, que deverá concentrar respostas nas áreas jurídica e de cidadania, apoio psicossocial e integração social e económica.
Na área cultural, Carlos Frederico considerou que a AMP tem uma responsabilidade importante na preservação da identidade maiense, através da promoção de encontros comunitários, batuque, gastronomia, música, jogos tradicionais, celebrações religiosas e outras iniciativas.
A este propósito, destacou a recuperação do projecto “Djarmai em Família”, destinado a aproximar diferentes gerações da comunidade e a reforçar a ligação à cultura e às raízes do Maio.
Para os próximos anos, a AMP pretende consolidar os serviços de apoio à comunidade, reforçar o acompanhamento dos estudantes para reduzir situações de abandono escolar, apostar na integração profissional dos jovens depois da formação e criar mais respostas nas áreas jurídica, psicossocial e de cidadania.
“Outro desafio fundamental é preparar uma nova geração de dirigentes e voluntários. Uma instituição forte não pode depender de uma pessoa. Tem de possuir estruturas, memória institucional e capacidade de renovação. Esse será também um dos grandes desafios da AMP nos próximos anos”, defendeu aquele activista social.
Carlos Frederico apelou ainda aos maienses, sobretudo aos jovens, para se aproximarem da associação, participarem e assumirem responsabilidades.
“A AMP não pertence ao presidente nem aos seus dirigentes. Pertence à comunidade”, afirmou o líder associativo.
Para comemorar o 23.º aniversário, esta organização cabo-verdiana em Portugal promove hoje uma tarde de convívio sob o lema “AMP – 23 anos a transformar vidas, a construir futuro!”, no Parque Urbano Felício Loureiro, em Queluz, entre as 14:00 e as 19:30.
FM/JMV
Inforpress/Fim
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