
Tarrafal, 27 Ago (Inforpress) – O poeta e escritor tarrafalense Paulo Varela explicou hoje que o seu mais recente poema, “Quadro de Paz”, publicado no YouTube, é uma reflexão sobre a literatura, a transformação social e os desafios enfrentados actualmente pelos agricultores cabo-verdianos.
Em declarações à imprensa, Paulo Varela explicou que o poema surge também como uma forma de saudar a realização, no Tarrafal, da segunda edição do programa Ler África Ibero-América, iniciativa de dimensão internacional.
Segundo o poeta, o evento levou-o a recuar cerca de 20 anos, quando o município ainda não dispunha de um clube literário, até à criação de estruturas como a Associação Literária do Tarrafal de Santiago e, posteriormente, a Casa da Leitura.
“Quadro de Paz”, acrescentou, representa igualmente uma forma de devolver à sociedade a literatura enquanto instrumento de reflexão e de marcar, através da poesia, um momento de encontro e partilha literária.
Um terceiro eixo do poema, explicou, está relacionado com a realidade do campo e com a esperança dos agricultores perante o actual período agrícola.
O escritor, que também é agrónomo, defendeu que os camponeses devem continuar a acreditar, mas apelou ao Estado para estar preparado para intervir caso as condições se agravem.
Entre as medidas apontadas estão o fornecimento de sementes, o reforço da sanidade vegetal para fazer face a pragas e doenças e mecanismos de apoio alimentar às famílias rurais em períodos de maior dificuldade.
No poema, o autor contrapõe a memória do passado do Tarrafal, marcado pelo Campo de Concentração e pela repressão, à realidade actual, destacando mudanças sociais, o papel crescente das mulheres e a substituição de instrumentos tradicionais por computadores, tractores e ferramentas ligadas à educação.
Ao mesmo tempo, “Quadro de Paz”, segundo o poeta, aborda a ausência de chuva no final de Agosto e a ansiedade das comunidades agrícolas, mas mantém uma mensagem de esperança, inspirada no trabalho, na natureza e na perseverança.
Para Paulo Varela, o poema constitui ainda uma viagem pela história e pelas transformações de Cabo Verde ao longo dos 50 anos de independência, deixando um apelo para que o país continue a enfrentar os seus desafios com base nas aprendizagens acumuladas.
No final, o poeta imagina um mundo onde a paz ultrapassa as fronteiras e conclui com a disposição de se juntar aos que trabalham na construção do país: “Sim, Cabo Verde”.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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