Fogo: Festa do Queijo de Monte Grande quer novo modelo para reforçar impacto junto dos produtores

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Fogo: Festa do Queijo de Monte Grande quer novo modelo para reforçar impacto junto dos produtores
19/07/26 - 02:00 am

São Filipe, 19 Jul (Inforpress) – A organização da Festa do Queijo de Monte Grande quer que a sexta edição marque uma mudança de modelo, privilegiando acções práticas com impacto directo nos produtores e no desenvolvimento das comunidades rurais.

O presidente da Associação Ká Djidja, Pedro Matos, defendeu que a próxima edição da festa deve representar uma mudança de paradigma, substituindo os discursos por iniciativas concretas que respondam às necessidades dos produtores de queijo da ilha do Fogo.

Um dos momentos centrais da quinta edição foi o concurso do melhor queijo, que reuniu 37 produtores das localidades de Miguel Gonçalves, Cutelo Capado, Monte Grande, Lacacã e Monte Largo.

A participação superou as expectativas da organização, apesar dos efeitos da seca na actividade pecuária. 

Segundo Pedro Matos, até às 20:00 do último dia de inscrições existiam apenas duas candidaturas, tendo o número final ultrapassado largamente essa previsão.

Keny Centeio de Andrade venceu o concurso com 132 pontos, seguido de Manuel António da Silveira, com 125, e Eric da Silveira, com 122. Os três primeiros classificados receberam prémios de 50, 30 e 20 mil escudos, respectivamente.

Todos os participantes receberam um saco de milho ou de ração, à escolha, com o apoio dos parceiros da iniciativa, medida que a organização considera um incentivo à continuidade da actividade pecuária.

O programa da quinta edição incluiu ainda um concurso de trabalhos em sisal, uma peça de teatro sobre a vida no campo, uma feira de saúde e actividades culturais e recreativas.

Para Pedro Matos, o futuro da festa passa também pelo reforço do associativismo, através da criação de associações ou cooperativas que permitam aos produtores enfrentar em conjunto desafios como o acesso à água, milho, ração, pastagens e mercados.

O responsável considerou que o individualismo continua a dificultar a organização dos produtores na ilha, mas assegurou que a Associação Ká Djidja continuará a promover essa mudança.

Entre as prioridades para os próximos anos estão igualmente a formação dos produtores em técnicas de embalagem e transporte do queijo, tirando partido da chegada de malas térmicas provenientes dos Estados Unidos, para preservar a qualidade do produto até ao consumidor.

A associação pretende ainda identificar actividades geradoras de rendimento destinadas às mulheres das comunidades, antes de avançar com acções de capacitação específicas.

Outro objectivo passa pela criação do selo "Queijo do Fogo – Monte Grande" e pela certificação do produto, processo que, segundo a organização, exigirá a revisão das actuais práticas de produção.

Neste âmbito decorre o estudo "Roteiro Queijeiro Atlântico", desenvolvido em parceria com instituições das Canárias e dos Açores.

A médio prazo, a associação pretende criar, em Monte Grande, uma Casa do Queijo, ou espaço museológico dedicado à história da produção queijeira e das famílias produtoras, bem como desenvolver um roteiro turístico que integre diferentes casas de queijo em articulação com operadores turísticos da ilha.

A longo prazo, a Associação Ká Djidja pretende que o Queijo de Monte Grande seja reconhecido como património gastronómico de Cabo Verde, valorizando-o como símbolo da identidade rural e factor de desenvolvimento económico da região.

JR/JMV

Inforpress/fim

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