
Cidade da Praia, 03 Jul (Inforpress) – O Banco de Cabo Verde reforçou, em 2025, as reservas cambiais para um máximo histórico de 120,7 milhões de contos, mais 42,52% que em 2024, reforçando a capacidade do País para preservar a estabilidade cambial.
De acordo com o relatório de actividades e contas do Banco de Cabo Verde divulgado hoje, os activos sobre o exterior atingiram 120.666.439 contos, constituindo a principal componente da estrutura do activo do banco central e impulsionando o crescimento de 30,4% do balanço, que totalizou 130,3 milhões de contos no final de 2025.
O BCV explicou que a evolução das reservas internacionais foi sustentada, essencialmente, pelo aumento das operações com cartões internacionais, associado ao dinamismo do sector do turismo, pela compra líquida de divisas aos bancos comerciais no âmbito das medidas de política monetária e pelas entradas de recursos provenientes do Tesouro, incluindo as relacionadas com a concessão da exploração dos aeroportos, bem como pelos desembolsos efectuados por parceiros internacionais.
A instituição salienta ainda que prosseguiu a estratégia de diversificação e reforço da qualidade das reservas cambiais.
Neste âmbito, adiantou, os investimentos em activos financeiros sustentáveis continuaram a ganhar peso, com as aplicações em Green Bonds a atingirem 7.386.742 contos no final do exercício, o equivalente a cerca de 6,12% do valor global das reservas cambiais.
As aplicações em títulos mantiveram-se como o principal instrumento das carteiras de investimento e de liquidez, representando 66,05% e 63,33%, respectivamente, indicando que no total, a carteira de títulos ascendia a 72.774.471 contos, distribuída entre activos financeiros mensurados ao justo valor e activos contabilizados ao custo amortizado.
O relatório evidencia igualmente um crescimento expressivo da carteira de liquidez, que aumentou 79,97% relativamente a 2024, fixando-se em 56,8 milhões de contos, reflectindo as entradas registadas ao longo do exercício. Já a carteira de investimento cresceu 1,75%, enquanto a carteira Buy&Hold registou uma valorização de 2,16%.
Apesar do reforço das reservas internacionais, o banco central encerrou o exercício com um resultado líquido negativo de 1.366.840 contos, invertendo o lucro registado em 2024.
De acordo com o BCV, o desempenho foi condicionado pelo contexto de elevada volatilidade dos mercados financeiros internacionais, pela flutuação cambial desfavorável dos activos denominados em dólar norte-americano e yuan chinês, bem como pela redução da margem financeira e do resultado das operações financeiras.
Ainda assim, o banco central considera que o reforço das reservas internacionais constitui um dos principais factores de estabilidade macroeconómica do País, permitindo preservar a credibilidade do regime cambial de paridade fixa entre o escudo cabo-verdiano e o euro, num contexto internacional marcado por incertezas económicas e geopolíticas.
O relatório refere ainda que as Operações Monetárias de Financiamento diminuíram 77,64% face ao ano anterior, reflectindo o reembolso gradual das linhas de crédito concedidas aos bancos comerciais no âmbito das medidas extraordinárias implementadas durante a pandemia, enquanto o balanço da instituição cresceu para 130,3 milhões de contos, mais 30,4% do que em 2024.
CM/ZS
Inforpress/Fim
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