
São Filipe, 24 Jun (Inforpress) – Uma comitiva internacional chegou hoje à ilha do Fogo, no âmbito do Mestrado em Resposta Humanitária, programa financiado pelo Erasmus Mundus da União Europeia e coordenado por um consórcio de sete universidades africanas e europeias.
A deslocação se enquadra nas actividades da Escola Internacional de Verão promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em parceria com a Universidade de Santiago (US) e tem a duração de três dias.
O coordenador nacional do mestrado, Odair Barros Varela, disse que o projecto integra instituições como a Universidade de Cabo Verde, a Universidade de Santiago e a Universidade de Ruvuma (Moçambique), além de universidades europeias como a Universidade de Atenas (Grécia) e instituições em Portugal e na Noruega.
O programa, explicou, envolve estudantes de várias nacionalidades da Europa, África, Ásia e América Latina, com o objectivo de estudar e preparar respostas a eventos extremos como erupções vulcânicas, conflitos armados, pandemias e outros desafios humanitários.
“Estamos a formar técnicos capazes de actuar num mundo cada vez mais afectado pelas mudanças climáticas e crises complexas”, destacou.
A visita à ilha do Fogo insere-se numa componente prática do curso, permitindo aos cerca de 40 participantes, entre estudantes (17), professores (uma dezena), técnicos e voluntários, conhecer no terreno a realidade de gestão de riscos em Cabo Verde, com especial enfoque na erupção vulcânica e na resposta da protecção civil.
“Isso é muito bom para Cabo Verde, porque Cabo Verde é um país insular, um arquipélago, um pequeno estado insular em desenvolvimento, embora temos que mudar um pouco essa categorização, para assumir que somos um grande estado oceânico, com muito mar, então temos que prestar atenção a questões como o aumento do nível do mar e o aquecimento global”, disse.
A professora da Uni-CV, Vera Alfama, sublinhou que o projecto tem duas áreas diferentes, a parte dos desastres naturais e a parte das migrações, acrescentando que para o Fogo, as migrações não importam muito e que os estudantes já viram isso em outras partes do mundo, nomeadamente na Grécia, onde visitaram campos de refugiados.
“Queríamos mostrar a parte dos desastres naturais e um dos desastres naturais, embora não esteja relacionado com as alterações climáticas, é a erupção vulcânica que afectou todo o país e não apenas a zona de Chã das Caldeiras”, disse Vera Alfama justificando a escolha da ilha do Fogo.
Os participantes já estiveram na ilha de Santiago e, no Fogo, visitaram hoje o Centro Integrado de Recursos da Uni-CV e reuniram-se com a Câmara Municipal de São Filipe.
O programa inclui ainda deslocações a Chã das Caldeiras, visitas a projectos locais e contacto directo com a população.
Entre as actividades previstas estão a visita à cooperativa de produção de queijo de Cutelo Capado, uma subida ao vulcão (pico principal e pico pequeno), sessões técnicas com o Parque Natural do Fogo, a Reserva da Biosfera e o Projecto Vitó, bem como um workshop da Protecção Civil Regional sobre a resposta à erupção de 2014.
O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, destacou a importância da articulação entre protecção civil e comunidade local num território marcado por riscos naturais e pelos impactos das alterações climáticas.
O Mestrado em Resposta Humanitária resulta de um projecto iniciado entre 2019 e 2020 na área de acção humanitária, evoluindo agora para um programa académico avançado.
Segundo o coordenador nacional, estão previstas mais duas edições até 2027, reforçando a aposta na formação de especialistas capazes de responder a crises humanitárias em contextos globais cada vez mais complexos.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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