
Santa Maria, 19 Jun (Inforpress) – A mesa sobre Ecopoéticas, realizada hoje no segundo dia do Festival de Literatura Mundo, debateu a crise ecológica global e o papel da cultura, com a moderadora Bárbara Mesquita a propor um novo movimento literário em Cabo Verde.
O painel, que contou com as intervenções dos investigadores Agnaldo Rodrigues e Gustavo Ruckert, bem como de Margarida Rendeiro e Sandra Sousa, discutiu formas de a literatura e as artes reimaginarem modos de habitar o mundo, deslocando o ser humano do centro e promovendo novas relações éticas, sensíveis e políticas entre corpos e paisagens.
Em declarações à margem do evento, Bárbara Mesquita considerou o tema “muito pertinente”, numa altura em que se vivem profundas transformações globais, com impacto climático, ecológico e social, também visíveis no arquipélago.
“Há uma transformação muito grande, que também se nota aqui, sobretudo nesta ilha, que eu conheço desde 2003 e tenho vindo nos últimos anos e vou observando como se está a transformar”, afirmou, defendendo que a literatura deve acompanhar este processo pelas suas repercussões diretas na vida das populações.
Aproveitando a efeméride dos 90 anos do movimento Claridade, a moderadora defendeu que a atual geração de criadores deve organizar-se em torno das causas contemporâneas e equacionar a criação de um novo movimento literário.
“Eu acho que é um momento, no ano em que se celebram os 90 anos do movimento, a Claridade de nascer um novo movimento para acompanhar este processo”, disse.
Questionada sobre a difusão da mensagem ecológica nas redes sociais e na chamada ecopoesia, Bárbara Mesquita admitiu não frequentar as plataformas digitais, mas reconheceu o seu potencial junto das novas gerações.
“Como os jovens estão mais ativos nas redes sociais do que nos meios de comunicação tradicionais, se calhar é um momento para aproveitar”, considerou, sublinhando, contudo, dúvidas quanto ao desenvolvimento desta temática na produção literária e mediática em Cabo Verde.
Para estimular a criação nacional, a investigadora sugeriu que os jovens se inspirem em obras clássicas da literatura cabo-verdiana que já abordavam a relação entre o homem e o meio envolvente.
Evocando o percurso de Manuel Lopes e a obra “Os Flagelados do Vento Leste”, Bárbara Mesquita apontou o texto como referência central de reflexão sobre as transformações ambientais e sociais.
“Eu acho que os jovens se calhar deviam se inspirar em obras como essa, que podem servir de uma fonte para refletir sobre o que está a passar hoje”, concluiu, apelando a uma ação coletiva através da escrita literária.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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