
Sal-Rei, 19 Jun (Inforpress) – Os cidadãos da Boa Vista reagiram hoje com expectativa e reservas à posse do novo Governo liderado por Francisco Carvalho, exigindo soluções urgentes para transportes, custo de vida e maior atenção à descentralização administrativa.
Na ilha da Boa Vista, a chegada do novo executivo foi acompanhada por um misto de esperança e desconfiança quanto ao cumprimento das promessas eleitorais, sobretudo nas áreas dos transportes interilhas e da redução do custo de vida.
Em declarações à Inforpress, a comerciante Maria Cardoso afirmou encarar com incredulidade as promessas feitas em campanha, questionando se as propostas apresentadas serão “verdadeiras ou mentiras”, em especial as relativas às tarifas aéreas e marítimas de 5 mil e 500 escudos.
A comerciante, proprietária de um espaço no mercadinho local, defendeu que as prioridades do novo Governo devem centrar-se no combate ao elevado custo de vida e na resolução da crise dos transportes interilhas, criticando os preços praticados nas ligações aéreas e marítimas.
Maria Cardoso sublinhou ainda a importância de uma articulação mais eficaz entre o Governo central e a autarquia local, como condição para impulsionar o desenvolvimento da ilha.
Por seu turno, o director de uma escola de condução, Vítor Cruz, manifestou otimismo em relação à nova liderança, considerando que “Cabo Verde tem de andar para a frente” e que a Boa Vista, enquanto ilha turística, “não pode ficar atrás das outras”.
Como principal reivindicação, apontou a criação de uma delegação permanente da Direção-Geral de Transportes e Trânsito (DGTR) na ilha, defendendo o fim de uma dependência que se prolonga há cerca de 30 anos.
Segundo Vítor Cruz, a ausência desse serviço obriga a ilha a esperar cerca de dois meses pela deslocação de examinadores para a realização de exames de condução, prejudicando o setor.
Também ouvida pela Inforpress, a professora Paula Évora descreveu o momento como de “ansiedade” para muitos cabo-verdianos, embora mantenha a esperança num executivo capaz de gerar impactos positivos na vida da população.
A docente apelou ainda a uma maior atenção do novo Governo à ilha da Boa Vista, sublinhando que, na sua perspetiva, “quase nenhum dos partidos olha para Boa Vista”, defendendo uma mudança estrutural que permita “mudar a cara” da região.
MGL/JMV
Inforpress/Fim
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