
Mindelo, 17 Jun (Inforpress) – Entre lágrimas, noites sem dormir e uma fé inabalável, Ana Évora vive com orgulho a estreia do filho Vozinha no Mundial, preparando-se agora para viajar aos Estados Unidos para o apoiar.
Há três dias que Ana Évora praticamente não consegue dormir nem comer, relatou em entrevista à Inforpress.
Entre entrevistas para órgãos de comunicação nacional e algumas das maiores televisões do mundo, que tornaram a sua casa em Horta Seca, São Vicente, uma das mais procuradas, a mãe do guarda-redes Vozinha vive uma mistura de nervosismo, orgulho e emoção ao ver o filho realizar o sonho de infância de estrear num Campeonato do Mundo de Futebol.
“Ele vai brilhar no Mundial e no próximo jogo vamos fazer a mesma coisa, quer dizer, vamos ganhar”, afirmou Ana Évora, com o coração de mãe transbordando confiança nos Tubarões Azuis.
A estreia de Josimar José Évora Dias, conhecido por Vozinha, era um sonho acalentado desde criança.
Nos campos de terra de São Vicente, começou por jogar como qualquer menino apaixonado pela bola, até encontrar a posição que o tornaria uma referência do futebol cabo-verdiano: a baliza, como contou a sua progenitora à Inforpress.
Ao assistir pela televisão ao primeiro jogo da selecção nacional, Ana Évora viveu cada minuto como se também estivesse dentro das quatro linhas.
Tão grande foi a tensão e a emoção que uma das netas teve de lhe fazer massagens na cabeça para a ajudar a relaxar.
“Eu dizia-lhe sempre que estava também a guardar a baliza com ele”, contou, emocionada.
Ver o filho tornar-se um dos nomes mais falados da estreia de Cabo Verde no Mundial é um sentimento que, segundo confessou, “nem sabe explicar”.
Nos últimos dias, Vozinha viu multiplicar-se a atenção mediática e tornou-se alvo da imprensa nacional e internacional, acumulando milhões de seguidores nas redes sociais.
Mas, para Ana Évora, por detrás da fama continua a estar o mesmo rapaz humilde e ajuizado que cresceu entre os avós paternos, que o criaram desde pequeno, sem nunca deixar de sentir a presença constante da mãe.
“Sempre foi uma criança feliz, muito humilde, dá atenção a todos, não importa a idade”, descreveu.
A fé da família nunca vacilou. Antes mesmo da qualificação para o Mundial, como contou, a avó que o criou já tinha feito o seu prognóstico.
“Foi dito e feito”, recordou Ana Évora, convencida de que a selecção cabo-verdiana iria alcançar o campeonato do mundo, porque, como assegurou, “a fé não morre”.
Mãe de quatro filhos, dos quais três seguiram o futebol — dois guarda-redes e um defesa — Ana Évora viu ainda a filha tentar o mesmo caminho, interrompido por uma lesão.
Considera a sogra uma segunda mãe, por toda a ajuda que lhe deu na criação dos filhos.
“Lá onde estão, estão a torcer pelo neto deles”, disse, numa referência emocionada aos avós paternos de Vozinha.
Aos 40 anos, o primogénito da família continua a ser motivo de orgulho para a mãe, que tem ainda um filho de 37 anos, uma filha de 36 e o mais novo de 25 anos, além de três netos.
Entretanto, Ana Évora já prepara as malas para seguir na noite de hoje para a cidade da Praia, onde tratará das questões burocráticas do visto para os Estados Unidos, alimentando a esperança de conseguir assistir ao segundo jogo de Cabo Verde, frente ao Uruguai, marcado para domingo, 21.
Na bagagem, garante, leva muito mais do que roupas.
“Vou levar-lhe o sentimento de mãe para lhe dar força e também o coração e a esperança de todos os cabo-verdianos.”
E, numa simples mensagem ao filho que continua a guardar os sonhos de um país inteiro, deixa-lhe uma promessa e uma certeza:
“Vais brilhar naquela baliza”, assegurou.
LN/JMV
Inforpress/Fim
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