
Cidade da Praia, 17 Jun (Inforpress) – Cabo Verde reafirmou hoje o seu compromisso estratégico com a segurança sanitária global e regional ao acolher, na cidade da Praia, um encontro internacional de alto nível sobre a vigilância de arboviroses e do mosquito 'Aedes aegypti'.
O evento, organizado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) em parceria com a Rede de Vigilância de Aedes da África Ocidental (WAASuN), projecta o arquipélago como um palco central na resposta às ameaças de saúde pública potenciadas pelas alterações climáticas na região africana.
No discurso de abertura, proferido em representação do ministro da Saúde, a presidente do INSP, Maria da Luz Lima, contextualizou a realidade cabo-verdiana, declarando que o país enfrentou uma epidemia de dengue entre Fevereiro e Março de 2025, mas que neste momento não tem contabilizado casos da doença.
“Embora a transmissão activa de grande escala esteja controlada, a condição insular do país e a sua vulnerabilidade climática exigem que a vigilância nacional se mantenha em alerta máximo”, afirmou a responsável.
Maria da Luz Lima apontou a resiliência de Cabo Verde como um motor capaz de transformar as fragilidades geográficas em liderança proactiva através da ciência, recordando o histórico do país no sector, que culminou com a atribuição da certificação de país livre de malária pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024.
Esta vitória histórica, segundo a presidente do INSP, serve de base para a nova meta nacional no que respeita à implementação progressiva de uma vigilância integrada de vetores, estratégia que pretende unir esforços institucionais para antecipar crises epidemiológicas antes que estas se instalem.
No âmbito deste encontro, os laboratórios nacionais acolheram, nos dias 15 e 16, sessões de formação prática avançada destinadas a entomologistas e técnicos de laboratório locais, com o objectivo de elevar a capacidade técnica de resposta a futuros surtos.
Por sua vez, o co-coordenador da WAASuN, Samuel Dadzie, afirmou que esta primeira Conferência Internacional sobre arboviroses e vectores marca os nove anos de trajectória da organização, fundada em 2017 na Serra Leoa.
“Fundada com o objectivo de promover o apoio mútuo e a partilha de conhecimento no continente africano, a rede propõe agora a expansão das suas actividades para além do seu foco inicial”, referiu, lembrando que a organização já realizou encontros anuais em países como o Gana, a Costa do Marfim, o Senegal e Cabo Verde.
A escolha do tema para o debate reflecte o aumento considerado alarmante de mosquitos 'Aedes aegypti' e de infecções transmitidas por vetores (como a febre amarela e vírus transmitidos por carraças), com impactos severos recentemente reportados na África Oriental, Norte de África e no Senegal, exigindo o fortalecimento da solidariedade regional.
PC/CP
Inforpress/Fim
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