Câmara Municipal da Praia projecta empresa mista de resíduos para mitigar crise na recolha de lixo

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Câmara Municipal da Praia projecta empresa mista de resíduos para mitigar crise na recolha de lixo
11/06/26 - 01:10 am

Cidade da Praia, 11 Jun (Inforpress) - O vereador do Saneamento da Câmara Municipal da Praia, Carlos Dias, anunciou hoje que a autarquia planeia criar uma empresa municipal e pública de capitais mistos para reestruturar todo o processo de recolha de lixo na capital. 

Em entrevista à Inforpress, o autarca justificou a urgência da medida com a degradação da frota de veículos e apelou aos cidadãos para que denunciem o descarte ilegal de materiais pesados que danificam os equipamentos.

“A solução imediata é ter transporte especial para o lixo, porque os nossos camiões estão velhos, já não estão a suportar fazer esse trabalho de recolha durante muito tempo”, assumiu o autarca, sublinhando “o elevado peso financeiro e o desgaste contínuo” que a manutenção da actual frota acarreta para os cofres municipais. 

Segundo a mesma fonte, a transição para uma empresa mista representaria “uma mais-valia” para a câmara municipal, porque, conforme explicou, facilitaria todo o processo de recolha e também a gestão dos trabalhadores.

Para além dos desafios logísticos e mecânicos, o vereador identificou o comportamento de “uma parte considerável dos munícipes” como “autêntico calcanhar de Aquiles” do saneamento na Praia, lamentando a deposição indiscriminada de escombros e resíduos de grandes dimensões nos contentores convencionais, um hábito que tem danificado “severamente” os equipamentos de compactação.

“Já encontrámos sofás metidos dentro de um contentor, fogão a gás, sanita metida dentro de um contentor. Não há quem sustente. E é isso que acaba por destruir também todo o processo de recolha dos camiões, o dispositivo de recolha de contentores. Porque são compactadores, e ao encontrar materiais que não compactam facilmente, vai destruir os camiões”, reforçou.

O vereador denunciou ainda que estas práticas infractoras ocorrem frequentemente “de forma deliberada”. 

“Há pessoas que conhecem bem as normas, que nós julgamos que têm uma certa capacidade intelectual, mas que fazem isso escondido, têm esse tipo de comportamento na calada da noite”, apontou, reprovando também o surgimento crónico de lixeiras espontâneas em becos e locais não autorizados, onde os cidadãos despejam resíduos directamente de baldes, sem o acondicionamento prévio em sacos.

Neste sentido, para reverter o actual cenário, a edilidade tem em curso campanhas de sensibilização através de órgãos de comunicação social, rádio e televisão, e junto das instituições escolares. 

Contudo, o autarca enfatizou que a autarquia “não pode ter um polícia para cada pessoa” e instou a população a assumir uma postura activa de co-responsabilidade e vigilância.

“Apelo aos munícipes a também colaborarem no sentido de ter uma Praia mais limpa e mais bonita. A câmara faz a sua parte, vamos continuar a fazer, mas temos que contar também com a população que ama realmente o município”, defendeu. 

O vereador concluiu com um apelo directo à colaboração dos munícipes, exortando-os a quebrar a cultura do silêncio e a denunciar as descargas ilegais às autoridades. 

De forma mais expressiva, Carlos Dias pediu à população que supere o receio de conflitos vizinhos e comunique as infracções directamente à autarquia ou à Polícia Municipal, em prol do bem comum.

SC/AA

Inforpress/Fim

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