
Espargos, 09 Jun (Inforpress) – A empresa Águas de Ponta Preta (APP) está a desenvolver um projeto-piloto na ilha do Sal centrado na remineralização da água dessalinizada por osmose inversa, através de uma parceria estratégica com a empresa senegalesa Hérium.
A iniciativa, que marca uma importante cooperação industrial no seio da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), visa corrigir os parâmetros da água, melhorando as suas propriedades químicas e características organoléticas, nomeadamente o sabor.
Em declarações à imprensa, o responsável da APP, Damian Pujol, avançou que o primeiro contentor de dióxido de carbono (CO2) em estado líquido, bem como os equipamentos necessários ao processo, já se encontram nas instalações da empresa. Pujol classificou os primeiros testes como “satisfatórios”.
Segundo o responsável, a ideia de recorrer à Hérium surgiu após contactos sem sucesso com outras empresas de maior dimensão do setor.
Para além dos ganhos técnicos, a APP manifestou satisfação por iniciar esta cooperação com um grupo empresarial da sub-região africana, “que está mesmo aqui ao lado, no Senegal”.
O processo de remineralização utiliza gás carbónico considerado amigo do ambiente, uma vez que é obtido a partir do processamento da cana-de-açúcar.
Por sua vez, o diretor técnico da Hérium, Bouba, agradeceu a confiança depositada pela APP e manifestou o desejo de que esta cooperação industrial entre Cabo Verde e o Senegal se prolongue no tempo.
“Em vez de procurarmos soluções técnicas, conhecimentos especializados ou gás na Europa, temos um país muito próximo que pode fornecer tudo isso. Estamos muito satisfeitos com a colaboração com a APP, que já é muito interessante e tem sido um sucesso, porque conseguimos melhorar a qualidade da água com o nosso CO2”, destacou.
Além de melhorar o sabor e a qualidade geral da água para consumo na ilha do Sal, a introdução desta tecnologia permitirá reduzir a agressividade da água dessalinizada sobre os componentes metálicos das canalizações, diminuindo o desgaste da rede de distribuição.
Após a consolidação desta tecnologia na ilha do Sal, a Águas de Ponta Preta pretende replicar a experiência na empresa Águas de Porto Novo, em Santo Antão, e, posteriormente, estender o projeto a outras ilhas do arquipélago.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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