IPC defende uniformização da narrativa histórica da Cidade Velha para reforçar valorização patrimonial

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IPC defende uniformização da narrativa histórica da Cidade Velha para reforçar valorização patrimonial
05/06/26 - 07:04 pm

Cidade da Praia, 05 Jun (Inforpress) – A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) defendeu hoje a necessidade de uniformizar a narrativa histórica transmitida aos visitantes da Cidade Velha, visando garantir uma interpretação coerente do património e melhorar a experiência turística.

Ana Samira Baessa falava à imprensa no encerramento do workshop “Centros de Interpretação do Património Cultural e Museus de Sítio: Modelos para a Cidade Velha e outros locais em Cabo Verde”, realizado de 02 a 05 de Junho, na Cidade da Praia, e que reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios da interpretação e gestão do património.

Segundo a responsável, uma das principais conclusões do encontro aponta para a necessidade de harmonizar os conteúdos apresentados por diferentes entidades que realizam visitas ao sítio classificado como Património Mundial da UNESCO.

“É necessário haver um certo alinhamento, uma certa uniformização que permita que, independentemente da entidade que está a fazer a visita, esta narrativa e este percurso cronológico e histórico sejam feitos sempre a partir de uma mesma linha condutora”, afirmou.

A presidente do IPC explicou que outra recomendação resultante dos trabalhos consiste na criação de um Centro de Interpretação, previsto para 2028, destinado a contextualizar a história da Cidade Velha, da crioulidade e dos processos históricos que marcaram Cabo Verde.

“Chegamos a várias conclusões, nomeadamente em relação à necessidade de termos um centro de interpretação que seria um espaço dedicado a esta contextualização mais geral da Cidade Velha”, sublinhou.

De acordo com Ana Samira Baessa, o futuro centro deverá complementar os monumentos e espaços históricos existentes, permitindo aos visitantes obter uma visão global do sítio antes de iniciarem os percursos pelos diversos pontos de interesse.

A responsável salientou ainda que a interpretação da Cidade Velha deve ultrapassar a simples apresentação dos monumentos, integrando temas como a crioulidade, a escravatura, a mestiçagem, a arquitectura e as transformações sociais ocorridas ao longo dos séculos.

Neste quadro, defendeu a capacitação dos vários intervenientes que actuam no sítio, incluindo operadores e guias turísticos, de modo a assegurar uma transmissão coerente dos conteúdos considerados essenciais.

“Haverá espaço para todas as dinâmicas a nível da capacitação dos diferentes agentes que fazem a sua actividade no sítio, para que possamos ter um manual da visita à Cidade Velha”, afirmou.

A presidente do IPC destacou igualmente a disponibilidade da cooperação espanhola para apoiar o processo de valorização e gestão do sítio histórico.

“Percebemos uma enorme sensibilidade da Agência Espanhola de Cooperação em relação à gestão da Cidade Velha, olhando também para as dinâmicas sociais, turísticas e económicas que decorrem neste momento no sítio e que podem ser melhoradas no sentido de beneficiar ainda mais a população local”, acrescentou.

As conclusões do workshop servirão agora de base à elaboração de projectos e estratégias destinados a reforçar a valorização patrimonial e a gestão sustentável da Cidade Velha.

Classificada como Património Mundial pela UNESCO em 2009, a Cidade Velha, no concelho da Ribeira Grande de Santiago, é considerada o primeiro núcleo urbano europeu nos trópicos e um dos mais importantes testemunhos da história da expansão marítima atlântica e do tráfico transatlântico de escravos.

CM/JMV

Inforpress/fim

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