
Cidade da Praia, 30 Mai (Inforpress) – O Presidente da República afirmou hoje, na Praia, que vai trabalhar para que sejam alcançados, “o mais rapidamente possível”, os consensos necessários à plena oficialização da língua cabo-verdiana.
José Maria Neves fez estas declarações no encerramento do Encontro Internacional “Crioulidade Atlântica”, marcado pela leitura pública da “Declaração da Praia”, ocasião em que destacou os avanços registados na valorização do crioulo e defendeu a necessidade de dar o passo definitivo para o seu reconhecimento oficial.
Segundo o chefe de Estado, a língua cabo-verdiana já está presente em diversas esferas da vida nacional, desde as campanhas eleitorais e os debates parlamentares até às celebrações religiosas, à literatura e à música.
“Primeiro, é trabalhar para que, o mais rapidamente possível, consigamos os consensos necessários para a plena oficialização da língua cabo-verdiana”, declarou.
O Presidente destacou ainda o trabalho desenvolvido por universidades, investigadores e instituições académicas, referindo a existência de dicionários, gramáticas e diversos estudos que reforçam a base científica necessária para este processo.
José Maria Neves apontou igualmente o projeto de tradução integral da Bíblia para a língua cabo-verdiana, diretamente das línguas originais, prevendo que esteja concluído até 2033.
“O que falta mais? Falta essa energia, essa força da sociedade para que, o mais rapidamente possível, se consiga levar os representantes, que afinal são nossos representantes no Parlamento, a darem este passo para oficializarmos definitivamente a língua cabo-verdiana”, acrescentou.
Durante a intervenção, o chefe de Estado defendeu também a criação de uma cátedra da Crioulidade, em parceria com universidades e centros de investigação, para aprofundar o conhecimento científico sobre Cabo Verde e outras nações crioulas.
No discurso de encerramento, José Maria Neves sustentou que a experiência histórica das nações crioulas, marcada pela resistência, pela diversidade e pela capacidade de reinvenção, pode contribuir para a construção de um mundo mais humano, baseado na paz, no diálogo e na cooperação.
O Presidente anunciou ainda a realização, em 2028, da segunda edição do Encontro da Crioulidade Atlântica, que deverá contar com uma participação política mais alargada, para aprofundar e operacionalizar as ideias debatidas nesta primeira edição.
TC/JMV
Inforpress/fim
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