
São Filipe, 30 mai 2026 (Inforpress) – O coordenador do Projecto Destino Fogo, Marco Larazzi, considerou hoje “bastante positivo” o balanço das iniciativas desenvolvidas no âmbito do programa, destacando os impactos gerados no empreendedorismo, na inclusão social e na valorização dos recursos endógenos da ilha.
Marco Larazzi fez estas declarações à margem do encerramento do projecto “Melhoria na Produção de Cosméticos Naturais”, da empresa Fogo Conservas, uma das nove iniciativas financiadas pela União Europeia no quadro do Destino Fogo.
Segundo o responsável, os seis meses de implementação dos projetos permitiram alcançar resultados relevantes nas comunidades locais, apesar dos desafios enfrentados ao longo do processo.
“O mais marcante foi todo o processo. Nem sempre foi fácil, mas, com colaboração e comunicação, conseguimos alcançar resultados importantes”, afirmou.
Relativamente ao projeto de produção de sabonetes, óleos e cosméticos naturais, Marco Larazzi considerou tratar-se de uma oportunidade promissora para o mercado turístico da ilha, sublinhando que todas as iniciativas apoiadas pelo Destino Fogo foram concebidas para diversificar a oferta de produtos e serviços associados ao turismo.
O coordenador salientou ainda que os projetos ultrapassam a dimensão turística, envolvendo estudantes e membros das comunidades na valorização dos recursos naturais e na identificação de novas oportunidades económicas.
“A iniciativa pode gerar novos recursos, novos empregos e permitir o aproveitamento sustentável dos recursos naturais da ilha”, disse.
Entre as iniciativas já concluídas, destacou a da Cooperativa de Mulheres Empreendedoras de Lomba, orientada para a transformação de frutas e acompanhada por ações de formação em contabilidade, marketing, higiene e melhoria da qualidade dos produtos.
Referiu igualmente o projeto de Campanas de Cima, onde foi criada uma esplanada destinada à promoção e degustação de produtos locais transformados pelas mulheres da cooperativa, entre os quais pirão, camoca e derivados de raízes e tubérculos.
Em Tchanzinho, localidade que acolheu deslocados de Chã das Caldeiras após a erupção vulcânica, uma cooperativa de mulheres recebeu formação para a produção de sacolas com tecidos reciclados destinadas ao mercado turístico.
Já o projecto “Estampa Mente Livre”, desenvolvido na Cadeia Regional do Fogo e Brava, envolveu cerca de 30 reclusos na produção de estampagens em sacolas e outros materiais, enquanto o projeto “Na Lenha” permitiu a criação de uma cozinha tradicional para valorização da gastronomia local.
Marco Larazzi anunciou ainda que três projetos deverão ser concluídos até junho, nomeadamente os ligados à Cooperativa Copesca, vocacionada para a pesca recreativa e artesanal, e às cooperativas de Achada Furna e Cutelo Capado, direcionadas para a produção e diversificação de queijos e para a promoção de roteiros turísticos associados a este produto.
Por sua vez, o vereador da Câmara Municipal de São Filipe, António Cula, considerou que o Projeto Destino Fogo demonstrou o potencial económico e turístico da ilha.
Segundo o autarca, a iniciativa da Fogo Conservas na produção de cosméticos naturais evidencia a capacidade do Fogo para se afirmar como referência nacional e internacional através da valorização dos seus recursos específicos.
António Cula defendeu a continuidade da procura de parceiros estratégicos e de investimentos capazes de transformar os recursos locais em oportunidades de emprego, rendimento e crescimento económico.
“Não podemos pensar que somos pobres, mas sim no que cada um pode fazer pela sua ilha e pelo seu país para que sejam ricos”, concluiu.
Durante a cerimónia de encerramento do projeto “Melhoria na Produção de Cosméticos Naturais”, o promotor efetuou uma demonstração do processo de fabrico dos produtos e apresentou as perspetivas futuras de produção e comercialização na ilha e noutros mercados.
JR /JMV
Inforpress/Fim
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