
Cidade da Praia, 28 Mai 2026 (Inforpress) – A linguista e investigadora Karina Moreira defendeu hoje a institucionalização, o ensino e a oficialização das línguas crioulas como medidas essenciais para preservar a identidade cultural, considerando que Cabo Verde deveria acelerar o reconhecimento oficial da língua cabo-verdiana.
As declarações foram feitas à imprensa no âmbito do painel “Crioulidade e Modernidade”, integrado no Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, que decorre sob o lema “Edificar pontes, construir um futuro melhor”.
Na ocasião, a investigadora abordou a relação entre identidade cultural, língua e globalização, centrando a sua intervenção na situação das línguas crioulas no mundo contemporâneo e nos desafios da sua sobrevivência.
“Vou trazer aqui uma reflexão sobre como as línguas crioulas vão posicionar-se neste mundo moderno globalizado e o que devemos fazer para que não desapareçam”, afirmou.
Karina Moreira alertou, entretanto, que apesar de a língua cabo-verdiana apresentar actualmente um elevado grau de vitalidade, essa realidade poderá não manter-se sem políticas públicas adequadas.
Segundo a investigadora, muitas línguas crioulas continuam a ser discriminadas e desvalorizadas devido à sua origem histórica ligada à escravatura.
“Continuam a ser consideradas não línguas, não ensinadas, não oficializadas, pelo simples facto de terem tido uma génese singular, criada por pessoas escravizadas”, afirmou.
Para Karina Moreira, é necessário romper com esse paradigma, defendendo que a sobrevivência das línguas crioulas ao longo de cinco séculos impõe uma responsabilidade colectiva de garantir a sua continuidade.
“Sobreviveram durante cinco séculos e agora é nossa responsabilidade garantir que sobrevivam por muitos mais”, sustentou.
Questionada sobre o atraso na oficialização da língua cabo-verdiana, 50 anos após a independência nacional, a investigadora considerou tratar-se de uma questão que já deveria estar ultrapassada.
“A língua já poderia ter sido oficializada aquando da independência e hoje já nem estaríamos a discutir isso”, afirmou.
JBR/JMV
Inforpress/Fim
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