
Cidade da Praia, 08 Abr (Inforpress) – A conferencista internacional Mônica Cosas considerou hoje que o Atlantic Music Expo (AME) tem um “papel estratégico” na ligação entre continentes e que Cabo Verde assume como eixo da mobilidade artística lusófona.
Mónica Cosas, que falava aos jornalistas no âmbito de uma conferência sobre a Mobilidade Artística entre Cabo Verde, Brasil e Portugal, disse que o AME assume como um espaço “fundamental” de encontro entre artistas lusófonos, promovendo a ligação entre África, Europa e América Latina.
“Só por esta dimensão geográfica, já assume um papel extremamente relevante”, sublinhou, acrescentando que o evento contribui directamente para a criação de pontes culturais e profissionais.
A mobilidade, segundo a mesma fonte, passa pela forma como África se posiciona neste eixo global, sendo que Cabo Verde surge como um ponto estratégico não apenas pela sua localização, mas também pela sua capacidade de promover ligação dentro do espaço CPLP.
Mônica Cosas entende ainda o AME como um ponto de encontro dos países lusófonos, e sublinhou que são “raros” os exemplos de iniciativas semelhantes noutros países, com excepção do Brasil.
No que diz respeito a medidas concretas para esta mobilidade, a conferencista identificou dois aspectos “fundamentais”, sendo que o primeiro é o apoio financeiro, com linhas de financiamento, incentivos e programas que permitam aos artistas deslocarem e apresentarem os seus trabalhos fora do país de origem.
“O segundo é a existência de agentes e estruturas profissionais que possam viabilizar contratos, digressões e circulação internacional. Estes dois pilares são essenciais”, acrescentou.
Quanto ao futuro da mobilidade artística entre esses países, aquela responsável considerou que o processo já está em curso, ainda que de forma gradual, o que não é necessariamente negativo, já que demonstra que existe um movimento real e maior abertura.
No entanto acrescentou que com o reforço de políticas de apoio será possível consolidar este caminho, e que sem estes mecanismos seria muito mais difícil criar oportunidades de circulação e dar visibilidade.
A conferencista deixou algumas recomendações aos artistas, frisando que é “importante” conhecer profundamente o seu trabalho e preparar matérias de apresentação de qualidade.
Outro ponto considerado essencial é o ‘timing’ da internacionalização.
“Não se trata apenas de viajar ou dar um concerto no estrangeiro, mas de construir um posicionamento consistente”, alertou, defendendo que os artistas devem avaliar o seu grau de preparação antes de avançar.
A questão da língua foi também tratada pela conferencista, embora reconheça que a cultura é o principal elo entre os povos, a mesma defendeu que a partilha da língua portuguesa facilita a comunicação e o entendimento.
JBR/ZS
Inforpress/Fim
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