
Cidade da Praia, 27 Mar (Inforpress) – A reverenda Odette Pinheiro desafiou, esta sexta-feira, 27, as mulheres da Igreja do Nazareno da Praia a olharem para além das dificuldades quotidianas e a assumirem um papel de intercessão e fidelidade.
Odette Pinheiro lançou este repto durante a sua mensagem, no âmbito do Dia da Mulher Cabo-verdiana, assinalado a 27 de Março, numa palestra promovida pela Igreja do Nazareno do Platô.
Através de metáforas e exemplos históricos, a oradora traçou um perfil da “mulher bem-aventurada” como aquela que sustenta a família e a sociedade através da fé.
Um dos momentos mais emotivos da reflexão foi a analogia que a reverenda fez com a arte do bordado, uma tradição aprendida com a sua mãe.
“Muitas vezes, olhamos para a nossa vida e vemos apenas o avesso do bordado: fios soltos, nós, algo feio e sem sentido aparente”, descreveu, sublinhando que, enquanto a mulher vê apenas a confusão do “avesso”, Deus trabalha no “direito” da peça.
“Lá na frente, quando Deus virar o tecido, veremos uma imagem linda e perfeita. O que nos cabe é dizer 'sim' a Deus e confiar que a recompensa na eternidade será grande”, afirmou, incentivando à resiliência perante o sofrimento.
“Deus espera que nós façamos a sua vontade mesmo que doa”, enfatizou.
Ao abordar as figuras bíblicas, Odette Pinheiro humanizou a figura de Maria, mãe de Jesus, descrevendo-a como uma adolescente que abdicou dos seus sonhos de uma “vida normal” por uma missão de “sobressaltos”, realçando a angústia de Maria ao perceber que o seu filho era “diferente” e as incompreensões que enfrentou.
“Mãe é mãe. Mesmo confiando em Deus, o coração de Maria saltava porque ela não compreendia tudo o que Deus estava a fazer”, explicou, estabelecendo uma ponte de empatia com as mães que hoje enfrentam crises de identidade ou rebeldia dos filhos, reforçando que a oração e o “joelho no chão” são as ferramentas de vitória.
A oradora propôs também uma reflexão sobre o impacto social do cristianismo na emancipação da mulher.
Ao convidar a audiência a “olhar para o mapa do mundo”, a reverenda defendeu que a liberdade de que a mulher cabo-verdiana goza hoje, de estudar, trabalhar e circular sem o rosto coberto, é um fruto directo da mensagem de Cristo e da Reforma Protestante.
“Nós devemos ao Senhor Jesus Cristo o facto de estarmos onde estamos hoje”, asseverou.
A fechar a celebração, houve um tributo às pioneiras da Igreja do Nazareno em Cabo Verde, tendo recordado nomes como Idalina Barreto, que serviu como mãe espiritual de gerações de pastores, Lia Silva, Lina Correia, entre outras.
“O que dirão os que vierem depois de nós?”, questionou Odette Pinheiro, acrescentando: “Não deixemos cair o facho que chegou às nossas mãos. Onde quer que Deus nos tenha plantado, no lar, na profissão ou no lazer… mantenhamos o sentido da presença de Deus”, concluiu.
SC/HF
Inforpress/Fim
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