
Mindelo, 26 Mai (Inforpress) – O vice-reitor para o Planeamento Estratégico, Avaliação e Transformação Institucional da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), João Almeida Medina, instigou hoje os estudantes a serem criativos e a evitarem transformar-se em “meros repetidores de dados automatizados”.
João Almeida Medina fez estas declarações durante a abertura da Terceira Semana de Gestão realizada pela delegação da Escola de Negócios e Governação da Uni-CV em São Vicente, intitulada “Gestão 360°: Descobrindo o futuro da gestão com criatividade, tecnologia e impacto”
O vice-reitor, que reflectiu sobre os desafios da inteligência artificial e da desinformação, também falou da necessidade de se preservar o pensamento crítico e criativo, numa era dominada pelas tecnologias digitais.
“Não sejamos meros consumidores de previsões. Não sejamos meros repetidores de dados automatizados. Sejamos autores do nosso próprio pensamento”, apelou.
Na sua intervenção, o responsável alertou para o que classificou de “fábrica de ignorância”, associada à disseminação deliberada de dúvidas e desinformação, conceito que identificou como “agnotologia”, termo criado pelo historiador Robert Proctor para designar o estudo da produção intencional da ignorância.
Segundo explicou, actualmente esta realidade ganhou uma “engrenagem de alta tecnologia” através das ferramentas de inteligência artificial generativa.
Citando o linguista e filósofo americano Noam Chomsky, João Medina afirmou que o chamado sistema de inteligência artificial “não pensa, não compreende e não cria”, funcionando apenas como uma “máquina estatística avançada” capaz de prever palavras a partir de grandes volumes de dados.
“O verdadeiro perigo não é a máquina tornar-se humana. O perigo real é nós tornarmo-nos mecânicos”, advertiu, considerando que a dependência excessiva dos algoritmos pode comprometer a verdade, o conhecimento e a criatividade.
Para o vice-reitor, o combate à desinformação automatizada deve passar pelo reforço da criatividade, do humor e da capacidade de questionar.
“A criatividade recusa o padrão estatístico. Ela escolhe o caminho improvável, o erro poético, a conexão que nenhum algoritmo poderia prever”, afirmou.
João Medina incentivou ainda os estudantes a desenvolverem pensamento próprio, evocando Amílcar Cabral e a importância de “pensar pela própria cabeça”, defendendo que o essencial não é apenas dominar as tecnologias, mas saber colocar “as perguntas certas”.
A vice-presidente da Escola de Negócios e Governação, em São Vicente, Joana Melo, por seu lado, disse esperar que a 3.ª Semana de Gestão seja de trocas, de partilha e de conhecimento.
A docente instigou os universitários a serem activos, a colocarem questões, a falar das suas experiências, para também, poderem perceber as experiências dos outros. Isto porque, salientou, só se consegue criar conhecimento através do questionamento.
A representante dos estudantes, Cécia Monteiro, considerou que a realização da Semana de Gestão da Uni-CV mostra que o evento se tornou um marco no calendário académico da instituição, um espaço para a partilha de conhecimento, debate de ideias e para a definição de caminhos que transformarão a gestão.
CD/AA
Inforpress/Fim
Partilhar