
Cidade da Praia, 31 Mar (Inforpress) – A presidente da Associação de Luta contra a Violência Baseada no Género (ACLCVBG) defendeu hoje, na Praia, a urgência de se combater a violência no meio desportivo, alertando que o fenómeno limita as carreiras de muitas atletas.
“Não temos dados, mas temos relatos de que muitas meninas e mulheres sofrem violência no desporto aqui em Cabo Verde, o que limita as suas carreiras tanto dentro como fora do país”, afirmou Vicenta Fernandes, em declarações à imprensa, à margem da assinatura de um protocolo com o Comité Olímpico Cabo-verdiano (COC).
Para a responsável, trata-se de um mal que é preciso “cortar pela raiz”, sublinhando que a nova parceria com o COC permitirá intensificar acções de sensibilização para que todas as pessoas respeitem as mulheres e as meninas, sobretudo em Cabo Verde e não só.
“Muitas vezes há o medo, a vergonha, as pessoas não denunciam, e é nisso que nós vamos trabalhar para que as pessoas sejam mais conscientes e busquem a sua liberdade, a sua autonomia e a sua vontade de estar e viver feliz”, afirmou.
Por seu lado, a presidente do COC, Filomena Fortes, reforçou que o protocolo representa um compromisso institucional com uma problemática transversal, tendo em conta que a violência baseada no género é uma questão global e que afeta também o desporto.
“Nós temos assistido, mesmo a nível mundial, todas as situações que se tem passado com atletas e mesmo com treinadoras, e nós, ficando em silêncio é como se aceitássemos, é como se fôssemos cúmplices também dessa situação”, frisou.
Neste sentido, a responsável afirmou que o protocolo visa promover o trabalho conjunto entre o Comité Olímpico e a ACLCVBG, de forma a dar voz a atletas, dirigentes e treinadoras, quebrar o silêncio existente em Cabo Verde e contribuir para a redução da violência no desporto.
A assinatura de protocolo aconteceu no âmbito de uma sessão pública de reflexão sobre violência no desporto e mecanismos de salvaguarda, encerrando o mês de Março, dedicado às mulheres.
Enquadra-se nas recomendações do Comité Olímpico Internacional, que têm vindo a enfatizar a necessidade de implementar políticas de tolerância zero ao abuso e de garantir mecanismos eficazes de protecção de atletas.
ET/CP
Inforpress/Fim
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