
Port Louis, 07 Out (Inforpress) - A União Africana lançou hoje uma agência africana de notação financeira com o intuito de garantir que os países da região são avaliados de forma imparcial, com toda a informação disponível, e União Africana lança agência de 'rating' para garantir avaliações justas e imparciais.
"A missão da agência africana de ‘rating’ (AfCRA, na sigla em inglês), criada para fornecer avaliações de solvabilidade independentes, credíveis e centradas em África, consiste em reforçar a arquitetura financeira de África, colmatar lacunas de informação e garantir que os entes soberanos, sub-soberanos e empresas africanas sejam avaliados de forma justa nos mercados financeiros internacionais", lê-se na página da União Africana (UA) dedicada à AfCRA.
Os promotores referem que a criação desta agência focada nos ‘ratings’ de países e empresas a operar em África não se substitui às tradicionais agências de notação financeira, que têm sido criticadas por não levarem em conta as especificidades e o contexto africano quando atribuem os 'ratings'.
"A AfCRA complementa as agências de notação de crédito globais existentes, oferecendo uma perspetiva baseada em dados, conhecimentos especializados e realidades africanas, tendo como objetivo reforçar a forma como os Estados soberanos, as entidades sub-soberanas e as empresas africanas são avaliadas e compreendidas nos mercados financeiros internacionais, através de melhores dados, conhecimentos especializados e contexto sobre o risco de crédito africano", aponta a UA.
A atribuição de ‘ratings’ tem sido um dos temas em debate nos encontros internacionais sobre as finanças africanas, principalmente devido à ligação que tem com a capacidade de financiamento dos países da região nos mercados internacionais, uma vez que muitos investidores, principalmente institucionais, ancoram as suas decisões de investimento nestas avaliações aos países.
A nova agência, hoje lançada, é "impulsionada pelo setor privado, autofinanciada e independente", e não pode ser detida por governos, diz a UA, vincando que "as estruturas de governança privilegiam a transparência, a credibilidade e as salvaguardas contra conflitos de interesses".
Entre as vantagens, a UA aponta que, para os governos, a agência, que terá sede em Port Louis, nas Maurícias, poderá trazer "condições de financiamento mais justas e melhor acesso aos mercados de capitais", enquanto para os investidores será possível ter "análises equilibradas e específicas no contexto sobre o risco africano".
O custo do financiamento dos países africanos nos mercados internacionais é um dos principais temas em debate, não só pelo elevado valor, mas também pelo impacto que tem nas economias dos países, já que os governos, com recursos limitados, têm muitas vezes de escolher entre servir a dívida ou investir no desenvolvimento económico.
"O que está em jogo é significativo: o serviço da dívida externa de África aumentou de 61 mil milhões de dólares [54,5 mil milhões de euros] em 2010 para 163 mil milhões de dólares [145 mil milhões de euros] em 2024, com os pagamentos de juros a excederem a despesa pública com a saúde ou a educação na maioria dos países", insistiu a UA.
A instituição acredita que "a AfCRA visa reduzir esses encargos, melhorando a confiança dos investidores e a transparência do mercado".
Inforpress/Lusa
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