
Cidade da Praia, 06 Fev (Inforpress) – A coordenadora do projecto sobre Mutilação Genital Feminina (MGF), Clementina Furtado, defendeu hoje o reforço da sensibilização e da informação, visando prevenir esta prática e garantir a protecção dos direitos das meninas e mulheres.
Clementina Furtado manifestou esta posição na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) que, através do Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF), em parceria com a Alta Autoridade para a Imigração (AAI), promoveu hoje, na mediateca do Campus do Palmarejo Grande, uma roda de conversa sobre mutilação genital feminina (MGF), para assinalar o Dia Internacional da Tolerância Zero à MGF.
A coordenadora do projecto explicou à Inforpress que a iniciativa visa sensibilizar a comunidade académica e a sociedade em geral, reforçando o conhecimento sobre a prática e contribuindo para uma resposta mais informada e humanizada.
Segundo a responsável, um dos desafios passa por combater estereótipos e preconceitos associados a pessoas oriundas de regiões onde a prática existe.
“Nem todas as pessoas que vêm desses países são a favor da mutilação genital feminina. Na maioria das vezes, não é algo que homens ou famílias autorizam, mas uma imposição cultural”, sublinhou.
Clementina Furtado salientou ainda que a Uni-CV, enquanto centro de fusão e transformação do conhecimento, tem um papel estratégico na promoção dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em particular na luta contra práticas nocivas.
“Trabalhar com estudantes é essencial para que também sejam veículos de mudança e contribuam para a aceleração dos ODS rumo a 2030”, frisou.
A coordenadora apelou à não revitalização e à não discriminação de sobreviventes ou de pessoas provenientes de países afectados pela prática.
“Antes de condenar, é preciso conhecer, acolher e integrar, porque a mutilação genital feminina é uma violação dos direitos humanos das meninas e das mulheres”, reforçou.
Quanto aos resultados esperados, Furtado afirmou que a iniciativa pretende reforçar o conhecimento sobre as causas e consequências da MGF e promover o trabalho conjunto entre instituições e sociedade civil, com o objectivo de reduzir cada vez mais o número de meninas sujeitas à prática, e “quem sabe, chegar a zero meninas”.
A iniciativa decorreu sob o lema internacional “Rumo a 2030: Não haverá fim para a MGF sem compromisso e investimento sustentáveis” e contou com o envolvimento de estudantes e docentes do ensino superior, num espaço de diálogo e reflexão sobre os desafios persistentes no combate à mutilação genital feminina.
CG/SR//HF
Inforpress/Fim
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