
Londres, 15 Out (Inforpress) - O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje que Kiev vai retomar os ataques contra refinarias russas, apesar da trégua nos ataques a infraestruturas energéticas defendida pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.
“O bloqueio [a ataques contra refinarias] acabou. Já chega disso”, disse Zelensky ao jornal, na entrevista publicada na quinta-feira, 14.
A Ucrânia suspendeu os ataques a refinarias de petróleo e outras infraestruturas energéticas russas durante dois dias, após o anúncio de Trump sobre uma “trégua energética”, informou Zelensky no início desta semana, através da rede social X.
Apesar da pausa, Zelensky disse ao Financial Times que as suas forças ficaram sem os alertas antecipados dos EUA sobre mísseis balísticos. Além disso, o serviço de comunicações por satélite Starlink, de Elon Musk, viu o seu desempenho reduzido em todo o país, prejudicando as operações na linha da frente e os ataques de médio alcance contra instalações militares russas.
Zelensky relatou que as autoridades militares dos EUA chegaram a dizer aos seus homólogos ucranianos que, “se não pararem (com os ataques ao setor energético), bloquearemos o acesso a informações de inteligência”.
Posteriormente, o episódio foi apresentado a Kiev como uma “falha técnica” — uma explicação que Zelensky rejeita, descartando a possibilidade de que as falhas no sistema Starlink tenham ocorrido por acaso.
“Não foi um problema técnico; foi uma questão de vontade”, acrescentou na entrevista.
Quando questionado se a Ucrânia estaria disposta a interromper os ataques a instalações energéticas como forma de reparar as relações com a Casa Branca, disse ao jornal que só poderia concordar se, em contrapartida, recebesse mais intercetores Patriot de fabrico americano — classificando isso como o “mínimo” que seria aceitável.
Segundo o Financial Times, Zelensky criticou também o interesse de Washington em fechar acordos comerciais com Moscovo, bem como a aparente admiração do presidente norte-americano, Donald Trump, pelo líder russo, Vladimir Putin.
No sábado, Donald Trump defendeu que a Ucrânia substituísse Zelensky e criticou os ataques ucranianos às infraestruturas petrolíferas russas — um dia depois de ter anunciado um acordo de fornecimento de gasóleo com a Rússia, visando aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis, que dispararam desde o início da guerra entre os EUA/Israel e o Irão, em fevereiro.
Inforpress/Lusa
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