
Cidade da Praia, 10 Jun (Inforpress) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) manifestou-se hoje contra a reabilitação do mercado de Ponta Belém após incêndio e pediu a devolução do Mercado do Coco aos rabidantes, como forma de melhorar as suas condições de trabalho.
A inquietação foi manifestada pelo presidente regional do partido em Santiago Sul, Juceliano Vieira, durante uma conferência de imprensa, para abordar o incêndio no mercado de Ponta Belém e as condições de trabalho dos Bombeiros Municipais da Praia.
Este mercado, localizado entre o Platô e Sucupira, nasceu, conforme este responsável, de uma solução improvisada, lembrando que o espaço servia anteriormente como via de circulação tendo sido transformado numa área comercial temporária.
Isto, explicou, numa altura em que se aguardava a concretização de outras soluções prometidas para acolher essas comerciantes em condições mais adequadas.
“Entretanto, passaram-se os anos e aquilo que deveria ser provisório acabou por tornar-se permanente”, afirmou, lamentando que hoje as comerciantes trabalham num espaço sem condições mínimas de dignidade, sem acesso a água, nem fornecimento regular de energia eléctrica e instalações sanitárias para utilização das rabidantes e dos clientes.
Segundo Juceliano Vieira, no local há relatos frequentes de problemas de segurança, incluindo furtos de mercadorias denunciados pelas próprias vendedeiras ao longo dos anos.
“Estamos perante um conjunto de falhas estruturais que não podem continuar a ser ignorados”, frisou, sublinhando que estes comerciantes pagam taxas e contribuições pelo exercício da sua actividade, pelo que, vincou, tem o direito de trabalhar em condições de segurança, dignidade e respeito.
Contudo, a UCID reafirmou o compromisso de estar ao lado da Praia e dos praienses, a defender os seus interesses e a apoiar dentro das suas possibilidades.
“Esperamos que esta tragédia sirva de alerta para que situações semelhantes não voltem a acontecer e para que as soluções deixem de ser adiadas”, concluiu.
As primeiras informações sobre o incêndio que deflagrou em Ponta Belém no domingo, 31 de Maio, apontavam para a destruição de mais de 80 por cento (%) das roupas e mercadorias comercializadas pelas vendedeiras da zona, muitas delas mulheres que dependem exclusivamente desta actividade para sustentar as respectivas famílias.
Na sequência a Câmara Municipal da Praia aprovou um plano de contingência para apoiar os comerciantes afetados, estando de entre as medidas a atribuição de um subsídio de 25 mil escudos por cada bidão destruído, o perdão integral das dívidas das rabidantes afetadas e a requalificação integral do mercado.
O caso mobilizou também o Governo que aprovou um pacote de apoios que inclui um Rendimento Solidário de Emergência de 30 mil escudos mensais durante dois meses, uma subvenção complementar de 25 mil escudos por bidão destruído, além de medidas fiscais e de facilitação do acesso ao crédito para apoiar a retoma das atividades económicas.
ET/AA
Inforpress/Fim
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