
Mindelo, 10 Mar (Inforpress) – A União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) considerou hoje, no Mindelo, que a política de investimentos públicos na última década foi “fragmentada e dispersa”, acusando o Governo de priorizar o calendário político em detrimento das necessidades estruturais.
A posição foi defendida pela deputada Dora Pires, em conferência de imprensa de antevisão à interpelação ao executivo na Assembleia Nacional, que terá como tema central a “Política de investimentos públicos e infra-estruturas implementadas nos últimos 10 anos”.
Segundo a parlamentar, houve “demasiados anúncios e promessas” e, em muitos casos, “as obras chegaram tarde, custaram caro ou não tiveram o impacto económico esperado”.
Em outros casos, acrescentou, as prioridades nacionais foram preteridas por “opções de conveniência política”.
Dora Pires sublinhou que o arquipélago ainda enfrenta carências graves, apontando défices persistentes em sectores como água, saneamento, acessibilidades e logística portuária.
A deputada referiu ainda a existência de “bairros degradados, pressão sobre a habitação” e um “nível de desigualdade territorial que não condiz com o discurso oficial de desenvolvimento harmonioso” entre as ilhas.
Do ponto de vista da UCID, afirmou, o principal problema não foi apenas a quantidade do investimento público realizado, mas sobretudo a qualidade das escolhas feitas.
“Isto porque um país pequeno, com recursos escassos como Cabo Verde, não pode investir sem critério. Tem de investir onde o retorno económico e social é maior. Tem de priorizar infra-estruturas que aumentem a produtividade, reduzam custos de contexto, atraiam investimento privado, criem emprego e reforcem a coesão entre as ilhas”, defendeu.
Segundo Dora Pires, na visão do partido, o investimento público deve estar ao serviço da pessoa humana, da família, da comunidade e do desenvolvimento equilibrado de todas as ilhas.
Por isso, acrescentou, a UCID defende que o país precisa, com urgência, de uma nova geração de investimento público assente em cinco princípios.
O primeiro é a prioridade económica e social, com investimentos direccionados para melhorar a vida das pessoas e fortalecer a economia. O segundo passa pela equidade territorial, para evitar que as ilhas continuem a desenvolver-se a ritmos diferentes.
O terceiro princípio é a transparência e avaliação, para que cada grande investimento seja acompanhado de metas, resultados e escrutínio público.
O quarto, prosseguiu, consiste no reforço da parceria com o sector privado e com os municípios, defendendo que “o Estado não pode continuar a agir sozinho e, muitas vezes, sem eficiência”.
Por fim, Dora Pires destacou a necessidade de garantir a manutenção e sustentabilidade das infra-estruturas, sublinhando que “além de construir, é preciso conservar, gerir e assegurar utilidade duradoura”.
A deputada concluiu reconhecendo a existência de obras realizadas, mas alertou que o sucesso do desenvolvimento não deve ser medido pelo número de lançamentos de primeira pedra, mas sim pela “melhoria concreta” das condições de vida dos cabo-verdianos.
CD/CP
Inforpress/Fim
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