
Cidade da Praia, 10 Mar (Inforpress) - O economista José Luís Neves alertou hoje que a instabilidade geopolítica no Médio Oriente constitui um risco para a economia nacional, podendo pressionar a inflação, o turismo, as remessas e a estabilidade macroeconómica do país.
Em entrevista à Inforpress sobre os impactos do conflito, particularmente no Estreito de Ormuz, José Luís Neves defendeu que Cabo Verde necessita de respostas estruturais, e não apenas conjunturais, para mitigar a vulnerabilidade externa.
Para o economista, é essencial que o país aposte numa política industrial robusta, na diversificação económica para reduzir a dependência do turismo, no investimento em energias renováveis e no reforço da resiliência climática.
Num contexto marcado por desafios tecnológicos, cibersegurança e transição digital, o antigo secretário-geral da Câmara de Comércio de Sotavento sugeriu a adopção de estratégias baseadas num "compromisso alargado" entre os sectores público e privado, mediado pelo diálogo social.
Segundo explicou, a estabilidade política e institucional é um dos principais activos de Cabo Verde para atrair investimento estrangeiro numa economia “pequena, frágil e sem recursos naturais exportáveis”.
“Essa estabilidade deve ser preservada através do controlo do défice orçamental, da dívida pública e das reservas externas”, sublinhou, defendendo um crescimento robusto e sustentável.
José Luís Neves advertiu que a recente subida do petróleo Brent pode desencadear um “choque inflacionário” no arquipélago, devido à forte dependência de importações energéticas. Neste cenário, defendeu que os mecanismos de fixação de preços devem funcionar como “amortecedores” para proteger os mais vulneráveis, sem comprometer as finanças públicas.
Apesar de Cabo Verde ter encerrado 2025 com uma inflação média de 2,3%, o economista antevê riscos de aceleração em 2026, caso o conflito se prolongue e provoque aumentos nos custos do transporte marítimo e dos bens alimentares importados.
"O aumento dos custos dos fretes e dos seguros marítimos afecta directamente Cabo Verde, encarecendo a importação de bens essenciais e reduzindo a competitividade das exportações nacionais”, explicou.
Em matéria de investimento, José Luís Neves admitiu que a volatilidade internacional torna os investidores mais cautelosos, mas considerou que Cabo Verde tem a oportunidade de se posicionar como um "destino seguro, previsível e sustentável" para atrair capital em áreas como as energias renováveis e a economia azul.
No sector do turismo, embora Cabo Verde seja visto como um destino seguro, José Luís Neves alertou que a incerteza económica na Europa - o principal mercado emissor - pode retrair a procura.
Da mesma forma, segundo o economista, as remessas da diáspora poderão sofrer impactos caso os países de acolhimento venham a ser afectados por uma crise global.
DG/CP
Inforpress/Fim
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