
Cidade da Praia, 18 Ago (Inforpress) – O secretário-executivo da Comissão Económica para África (CEA), defende que os minerais críticos da SADC podem impulsionar a transformação estrutural do continente, desde que a região avance para a industrialização, agregação de valor e integração regional.
Claver Gatete, que é também secretário-geral adjunto das Nações Unidas, considera que a África está novamente no centro de uma corrida global pelos recursos, impulsionada pelo aumento da procura de minerais críticos para a transição energética, advertindo, contudo, que a abundância de recursos não constitui, por si só, uma estratégia de desenvolvimento.
Segundo o responsável, o continente detém cerca de 30 por cento (%) das reservas mundiais de minerais críticos, incluindo cobalto, cobre, grafite, lítio, manganês, níquel, metais do grupo da platina e terras raras, colocando a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) no centro das cadeias globais de abastecimento.
A região concentra importantes reservas de produção, desde o cobalto da República Democrática do Congo ao lítio do Zimbabwe, à platina e ao manganês da África do Sul e ao cobre da Zâmbia.
Gatete sublinha que os minerais representam cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da SADC, 25% das exportações e 20% das receitas públicas, mas geram apenas sete por cento do emprego directo, o que demonstra a necessidade de avançar para actividades de maior valor acrescentado.
Para o secretário-executivo da CEA, a região deve deixar de limitar-se à exportação de matérias-primas e apostar no processamento, fabrico e desenvolvimento tecnológico, de modo a criar empregos, desenvolver competências e reter maior parcela da riqueza no continente.
Como exemplo, cita um estudo da Bloomberg-NEF, encomendado pela CEA e parceiros, segundo o qual a construção de uma fábrica de precursores de baterias na RDC poderia custar cerca de 39 milhões de dólares, aproximadamente três vezes menos do que nos Estados Unidos, oferecendo também vantagens ambientais.
Entre as prioridades apontadas estão o reforço do conhecimento geológico, a criação de um pacto regional de minerais, a harmonização de políticas de investimento, royalties e conteúdo local, além do desenvolvimento de cadeias de valor transfronteiriças.
Gatete defende ainda que o processamento de minerais seja alimentado por energia limpa, fiável e acessível, aproveitando os recursos solares, hídricos e outras fontes renováveis existentes na região.
Outra prioridade passa por garantir que as comunidades beneficiem directamente da exploração mineral, através de contratação local, desenvolvimento de competências, participação accionista, conteúdo local, protecção ambiental e mecanismos transparentes de partilha de receitas.
“A região da SADC tem as condições necessárias para uma transição energética justa e equitativa”, sustenta Gatete, defendendo que a cimeira de Durban deve representar um ponto de viragem para uma transformação que crie empregos, capacidades e prosperidade na África Austral.
Para o responsável, a SADC não deve limitar-se a abastecer a transição energética mundial, mas utilizar os seus recursos minerais para impulsionar a própria transformação económica e social de África.
Segundo Claver Gatete, a Agência Internacional de Energia projecta que a procura destes minerais poderá mais do que triplicar até 2030 em cenários de emissões líquidas nulas.
“As principais economias estão já a reposicionar as suas cadeias de abastecimento em nome da segurança energética”, apontou Gatete, para quem esta é “uma janela de oportunidade estreita”.
A história, acrescenta, “ensina-nos que a riqueza de recursos por si só não garante uma transformação profunda”.
LC/HF
Inforpress/Fim
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