
Cidade da Praia, 28 Mai (Inforpress) — O secretário de Pesca de Bragança (Brasil), João Farias, afirmou que a gestão da embarcação cabo-verdiana encalhada no Brasil implica custos elevados, vigilância permanente e riscos crescentes devido às condições do mar e falta infra-estruturas locais.
João Farias, que está com a tutela da embarcação, contactou a Inforpress para esclarecer os custos adicionais associados à embarcação pertencente a Leny Martins, apontando despesas, necessidade de vigilância contínua e dificuldades operacionais no local.
Segundo relatou, no momento em que a embarcação foi avistada, contactou a Polícia Marítima, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar e também o IML.
“Porque a gente já teve um caso onde uma embarcação foi achada com corpos. Muitos corpos aqui na nossa região”, disse, acrescentando que nesse período apareceram dois supostos donos da embarcação, um de São Paulo e outro do Pará.
“E esses possíveis donos acabaram furtando alguns equipamentos da embarcação “Deus Seja Louvado”, e teve algumas partes do motor furtadas, equipamentos. A polícia acabou prendendo eles. Foram presos por furto. E devolveram parte dos materiais. Nem todo o material foi devolvido. Mas parte do material que foi devolvido já foi entregue aqui na Secretaria de Pesca de Bragança. E está sob nossa guarda”, acrescentou.
O dirigente ajuntou ainda que, no momento, a preocupação centra-se no facto de que, desde que a embarcação ficou naquela região, com as oscilações da maré, poderá vir a ser danificada.
João Farias assegurou que entrou em contacto com a Embaixada de Cabo Verde no Brasil, tendo sido enviado um relatório com toda a situação em que a embarcação foi encontrada.
A mesma fonte salientou que a secretaria está a ter custos para manter a embarcação segura e exortou o proprietário, Leny Martins, a proceder à sua retirada.
Ainda assim, não avançou valores sobre os custos para manter o barco seguro, referindo que os mesmos serão posteriormente apresentados através de uma planilha ao proprietário.
“Estou tentando manter a embarcação intacta, mas isso gera custo, porque eu estou pagando uma vigilância para ficar na embarcação todos os dias, 24 horas por dia. E isso gera custo para a gente que não tem recursos para isso”, afirmou.
O secretário disse que a situação da embarcação denominada “Deus Seja Louvado” é difícil de entender e “estranha” ao mesmo tempo, visto que o interior da embarcação estava muito limpo e com o material intacto.
“É como se ela não tivesse enfrentado todas as intempéries dessa viagem de quatro meses. É como se ela estivesse sendo usada. Essas informações não batem com a gente aqui. A gente não consegue ligar, de facto, as informações que chegam daí, do seu país, com o cenário que a gente encontrou dessa embarcação aqui”, detalhou.
O dirigente acrescentou ainda que já manteve contacto com o embaixador de Cabo Verde no Brasil, José de Oliveira, tendo ambos elaborado um relatório detalhado sobre a situação da embarcação e os procedimentos a adoptar.
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Inforpress/Fim
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