
Mindelo, 14 Nov (Inforpress) – O técnico de turismo José Lopes considerou hoje, no Mindelo, que a ilha de São Vicente deve ter um Plano de Turismo Municipal enquadrado na Estratégia Nacional de Desenvolvimento do Turismo.
José Lopes defendeu esta ideia ao intervir no workshop sobre “Soluções para o Turismo sanvicentino”, organizado pela empresa Facetur, em parceria com o Instituto do Turismo de Cabo Verde (ITCV), com a participação de diversos intervenientes do sector.
Segundo o técnico, para desenvolver o sector em São Vicente “há desafios enormes que precisam ser ultrapassados”, desde logo a questão da planificação da cidade.
“Precisamos planear melhor a nossa cidade, que necessita de alguns cuidados, sobretudo na área do saneamento, do trânsito e da conservação do património. Temos 22 municípios em Cabo Verde e só São Vicente tem mais de metade das casas de lata do que os restantes 21 municípios”, exemplificou, acrescentando ainda que há problemas de conectividade e transportes.
“Temos problemas de conectividade com o exterior; temos um aeroporto internacional que, a olhos vistos, está a prestar cada vez melhor serviço, mas há uma limitação estrutural que precisamos resolver para que possa funcionar plenamente como aeroporto internacional e receber voos à noite”, adiantou.
Segundo a mesma fonte, “se há condições para se pensar em criar um aeroporto de raiz na vizinha ilha de Santo Antão, deve-se também encontrar condições para resolver o problema estrutural que permita a São Vicente passar a receber voos internacionais durante a noite”.
Conforme acrescentou, a taxa de ocupação hoteleira na ilha “é relativamente baixa”, atingindo um máximo de 30%, pelo que “é preciso aumentar esta taxa, tendo em conta que é difícil viabilizar um negócio na área da hospitalidade e da capacidade hoteleira com uma taxa dessas”.
A seu ver, é preciso cuidar dos pontos turísticos, criar miradouros dignos na ilha e resolver o problema da praia da Baía das Gatas, cuja parte da sua extensão está ocupada por uma obra que dura há 20 anos.
“São Vicente tem de deixar de ser um ponto de passagem para ser um local de estadia. É uma das ilhas com taxas médias de dormidas mais baixas a nível nacional. Estamos aqui a servir de ponto de partida para a vizinha ilha de Santo Antão, mas temos de reter pessoas aqui para consumirem”, aconselhou, defendendo também a melhoria da orla marítima.
Para José Lopes, além dessas fragilidades, a tempestade Erin, de 11 de Agosto, veio agravar ainda mais a situação. Por isso, considerou necessária uma intervenção colectiva e estratégica não só para promover a recuperação, mas também para projectar o desenvolvimento.
Segundo o técnico, São Vicente é uma das ilhas com maiores potencialidades a nível de Cabo Verde para desenvolver o turismo, desde logo o turismo cultural, náutico e de cruzeiros e eventos.
“São Vicente não precisa invejar nenhuma das outras ilhas. Temos um caminho a percorrer, mas aqui podemos oferecer um turismo quase completo, porque é diversificado”, afirmou.
Por isso, considerou que o workshop sobre “Soluções para o Turismo sanvicentino” é oportuno, por promover um espaço de reflexão entre intervenientes do sector para transformar essas oportunidades em desenvolvimento concreto.
CD/ZS
Inforpress/Fim
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