
Mindelo, 04 Fev (Inforpress) – A retoma do acordo de acesso preferencial de produtos cabo-verdianos ao mercado norte-americano (AGOA, sigla em inglês) incentiva a indústria nacional, estimula a exportação e promove o país como destino de investimento, considera o presidente do CCB.
Uma leitura do presidente da Câmara de Comércio do Barlavento (CCB), Jorge Maurício, que foi abordado pela Inforpress com a decisão do Governo dos Estados Unidos da América (EUA) de reactivar o acordo de acesso preferencial de produtos de cerca de 30 países da África subsaariana, incluindo Cabo Verde, ao seu mercado por mais um ano.
O responsável da CCB congratulou-se com essa prorrogação da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA, sigla em inglês) até 31 de Dezembro de 2026, depois de ter estado a acompanhar o desenrolar do processo, que tinha expirado a 30 de Setembro de 2025.
“É para nós um acordo muito importante, porque serve de incentivo não só à indústria nacional, como estimula a exportação. Para além disso, promove Cabo Verde como destino de investimento”, sustentou Jorge Maurício.
Explicitando ponto por ponto, a mesma fonte considerou que a nível das empresas nacionais, a decisão vai permitir que estas apostem mais nos negócios e em criar produtos que possam atingir outros mercados.
Quanto à exportação, indicou que existem actualmente diversos produtos cabo-verdianos a serem exportados para os EUA, entre os quais, grogue, téxteis, pescado enlatado, e “podem surgir outros para alargar a lista”.
Por outro lado, enfatizou, a AGOA permite que os investidores estrangeiros vejam o país com outros olhos, inclusive para investimentos na área industrial.
“Temos várias vantagens nesse aspecto, por exemplo uma mão-de-obra que aprende rápido, posição estratégico e equidistante dos diferentes mercados e até o nosso clima”, enumerou o presidente da CCB.
Todos esses factores, sublinhou Jorge Maurício, vão contribuir para benefícios macroeconómicos, mais rendimento para as famílias cabo-verdianas e ainda a diminuição da importação.
Daí, a esperança que o Governo dos EUA possa rever a sua decisão e prolongar a lei ainda por mais tempo.
O acordo, que inclui Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tem "efeitos retroactivos a 30 de Setembro de 2025", data em que tinha expirado.
A sua extensão foi incluída numa lei promulgada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
O documento, aprovado pela Câmara dos Representantes após mais de três meses de paralisação, prolonga até 30 de Setembro o financiamento de agências governamentais, à excepção do Departamento de Segurança Interna.
Em 12 de Janeiro, a Câmara dos Representantes (câmara baixa) do parlamento dos EUA tinha aprovado a continuidade da AGOA, por mais três anos, mas o Senado (câmara alta) reduziu a extensão para um ano.
A AGOA, lançada em 2000, durante a presidência do democrata Bill Clinton, é a pedra angular das relações económicas entre os Estados Unidos e os países da África subsariana.
LN/ZS
Inforpress/Fim
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