Mindelo,10 Mar (Inforpress) - A Iniciativa de Transparência nas Pescas (FiTI, sigla inglesa) vai ajudar o Governo a estruturar um sistema de informação sobre pescas que também terá dados sobre o estado dos recursos pesqueiros em Cabo Verde.
Esta informação foi avançada à imprensa pela coordenadora regional da FiTI, Sara Lopes, no Mindelo durante a apresentação do segundo relatório da Iniciativa de Transparência nas Pescas que analisou o ano de 2023.
Segundo Sara Lopes, há falta de dados sobre o estado dos recursos pesqueiros em Cabo Verde. Mas após a criação desse sistema online sobre pescas, que é uma das recomendações do relatório, é muito importante que o próprio País consiga mantê-lo actualizado.
“Nós sabemos que as nossas principais lacunas, ainda em Cabo Verde, prendem-se com os dados relativamente aos nossos recursos. Isso porque o País não tem capacidade financeira e não tem conseguido mobilizar recursos tecnológicos e técnicos para terem toda a informação disponível ainda, então temos ainda algum atraso”, explicou Sara Lopes, para quem este é o maior constrangimento.
Segundo a coordenadora regional da FiTI, foram feitos estudos na década de 90 e não se conseguiu actualizar, pelo que não se consegue hoje ter as informações completas.
No entanto, explicou que o relatório apresentado pela Iniciativa de Transparência nas Pescas vai ajudar o Governo, junto dos parceiros internacionais, a demonstrar que o País quer resolver essa lacuna e precisa de ajuda para poder fazer um estudo mais amplo e poder falar com propriedade qual é o estado dos recursos pesqueiros em Cabo Verde.
“Ainda estamos a trabalhar com estudos de há muitos anos atrás e com alguns pequenos estudos feitos em relação a algumas espécies, mas não em relação a todos os recursos”, observou.
Conforme a mesma fonte, o segundo constrangimento é o facto de o País não ter uma base de dados de pesca online ou sistema de informação de pesca online em que qualquer pessoa possa aceder e encontrar toda a informação.
“Para produzirmos um relatório temos ainda que ir departamento a departamento verificar as informações. O desejável é que Cabo Verde tenha toda essa informação online, por exemplo, como já tem as Seychelles, já tem o Madagáscar, já tem a Mauritânia”, exemplificou.
Outra lacuna, adiantou a mesma fonte, é relativamente a alguns acordos que não são publicados.
“É preciso que todos estejam publicados, qualquer que seja a informação que lá esteja é importante que toda a sociedade tenha acesso a essas informações. Então, com o sistema online vai ser mais fácil também disponibilizar essas informações. A própria dispersão da legislação também dificulta as pessoas a compreenderem como é que está regulamentado”, reforçou.
Conforme Sara Lopes, o relatório da FiTI também recomenda que é "considerada importante” a necessidade de trabalhar com mais participação da sociedade civil. Um trabalho que deve ser feito em articulação com todos os envolvidos no sector.
“Aqui o desafio não é só do lado do Governo. É também da própria sociedade civil interessar-se e participar e fazer perguntas e questionar e procurar dados, ser mais pró-activa, mais colaboração com as universidades”, afirmou a mesma fonte, para quem isso também implica “mais abertura das próprias universidades para trabalhar com o sector público e vice-versa, não apenas numa parceria, mas verdadeiramente um trabalho colaborativo”.
CD/ZS
Inforpress/Fim
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