
Mindelo, 13 Out (Inforpress) - Duas especialistas brasileiras alertaram hoje, no Mindelo, para os riscos da Inteligência Artificial (IA) na disseminação da desinformação e na democracia, mas destacaram o seu potencial para melhorar a educação e ampliar o acesso ao conhecimento.
As intervenções decorreram no âmbito do painel “Inteligência Artificial e desinformação: Democracia e humanidade em risco?”, enquadrado no II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação, que se encerra hoje no Mindelo.
Ana Regina Rêgo chamou a atenção para o modelo de negócio das plataformas digitais, que tende a privilegiar conteúdos capazes de gerar indignação, ódio e emoções fortes, favorecendo a disseminação de informações falsas em detrimento de conteúdos factuais e jornalísticos.
“É por isso que a desinformação, a mentira e o ódio conseguem correr muito mais do que uma matéria factual, checada, jornalística”, observou, com o ponto de vista de que a associação entre inteligência artificial generativa e redes sociais pode agravar os riscos para a democracia.
A especialista apontou ainda que a educação crítica é fundamental para capacitar os cidadãos a questionar e verificar as informações que recebem, tendo em conta que os efeitos da desinformação também atingem comunidades com menor literacia digital.
Por sua vez, Cristina Vermelho destacou o potencial da inteligência artificial na educação, sobretudo na promoção de uma aprendizagem individualizada, capaz de responder às diferentes necessidades dos alunos.
“Acho que essa possibilidade de colocar a tecnologia, não para nos dar a resposta, mas nos fazer as perguntas, é que tem um dos caminhos para poder potencializar o processo de aprendizagem”, afirmou, com a ideia de que a IA pode ajudar os estudantes a superar dificuldades de aprendizagem e servir de suporte ao trabalho dos professores.
Cristina Vermelho salientou, contudo, que as tecnologias não são neutras, uma vez que as empresas que as desenvolvem procuram sobretudo a rentabilidade, mas, a seu ver, cabe à sociedade procurar formas de as colocar ao serviço do bem comum.
“É colocar a tecnologia a serviço da humanidade, e não a serviço das grandes empresas”, sublinhou.
As duas especialistas convergiram na necessidade de reforçar a educação crítica e promover uma utilização consciente da inteligência artificial, e reconhecem que, apesar dos riscos para a democracia e para a circulação de informação credível, a tecnologia também pode contribuir para “uma sociedade mais justa, igualitária e participativa”.
LN/CP
Inforpress/Fim
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