
Mindelo, 12 Out (Inforpress) – O II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação pretende, no Mindelo, promover o debate científico sobre a fome e contribuir para políticas públicas de combate à insegurança alimentar em Cabo Verde.
Em declarações à imprensa, durante o acto de abertura, o membro da comissão organizadora, João Almeida Medina, destacou a importância de discutir a fome para além da memória histórica do país, chamando a atenção para a persistência deste problema na sociedade cabo-verdiana.
Segundo o investigador, dados de relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e de outras instituições internacionais indicam que cerca de 10 por cento (%) da população cabo-verdiana enfrenta problemas relacionados com a fome.
“Temos que discutir também o passado na ideia de compreendermos a nossa dimensão histórica, compreender que políticas públicas podemos delinear”, afirmou João Almeida Medina, com a ideia de que a investigação científica deve fornecer dados que apoiem a elaboração de respostas concretas.
A iniciativa reúne investigadores de diferentes países e áreas científicas para aprofundar o conhecimento sobre a fome e a desinformação, fenómenos que, segundo este responsável, estão directamente interligados e têm impactos na saúde pública e exigem respostas articuladas.
Por sua vez, a investigadora brasileira Ana Regina Rêgo, da Rede Brasileira de Combate à Desinformação, salientou que a investigação deve manter um diálogo permanente com os poderes públicos, de modo que os resultados dos estudos possam transformar-se em soluções para a sociedade.
A académica apontou a regulação das plataformas digitais, a educação para os media, a divulgação científica e o jornalismo de qualidade como medidas importantes para combater a desinformação.
Alertou ainda para os efeitos da circulação de informações falsas em diferentes domínios, incluindo a saúde.
A professora e investigadora Marialva Barbosa, responsável pelo projecto “Comunicação Fome, uma ponte para a África”, destacou a ligação histórica entre Cabo Verde e Brasil e a importância de analisar as narrativas sobre a fome para compreender as transformações sociais e contribuir para o futuro.
Segundo Marialva Barbosa, o congresso assinala a conclusão de dois projectos de investigação desenvolvidos durante cerca de três anos e financiados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, que articulam estudos sobre a fome, a comunicação e a desinformação.
O II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação, organizado depois de um primeiro realizado no Brasil, decorre nos dias 12 e 13 de Outubro, no Centro Cultural do Mindelo, com a participação de investigadores de mais de 28 universidades.
LN/AA
Inforpress/Fim
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