São Vicente: Biosfera denuncia destruição de zona de desova de tartarugas e pede reforço das penalizações

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São Vicente: Biosfera denuncia destruição de zona de desova de tartarugas e pede reforço das penalizações
13/06/26 - 03:27 pm

Mindelo, 13 Jun (Inforpress) – O co-fundador da Biosfera denunciou hoje a contínua extracção ilegal de areia na Praia Grande, em São Vicente, e alertou para a destruição de dunas e ninhos de tartarugas, que “precisam de penalizações mais duras”.

Tommy Melo deixou o alerta à imprensa durante a campanha de sensibilização realizada pela organização ambiental na referida praia e que contempla diversas actividades, desde acampamento até desportos náuticos.

O biólogo afirmou que a situação tem vindo a ser denunciada há vários meses, mas a extracção de areia continua a degradar um dos poucos sistemas dunares existentes na ilha de São Vicente.

“Podemos ver ali nas dunas que ficam antes da praia propriamente dita um sistema dunar já completamente degradado. Já extraíram a areia, já destruíram todo o sistema dunar”, denunciou.

Segundo o responsável, os infractores passaram a actuar dentro da própria praia, removendo pedras colocadas para impedir a circulação de viaturas numa área utilizada pelas tartarugas para a desova.

De acordo com Tommy Melo, durante os últimos dias foram identificados sinais evidentes de destruição de ninhos de tartarugas.

“Vemos ninhos de tartarugas que foram escavados, ovos espalhados pelo chão, destruídos realmente. Portanto, já estão a apanhar areia na zona de desova de tartarugas”, lamentou.

O co-fundador da Biosfera explicou que cidadãos e representantes de diferentes entidades têm realizado vigilância no local para tentar travar a actividade ilegal, mas considerou que essa responsabilidade deve caber às autoridades.

“Temos vindo a dormir nesta praia nos últimos quatro ou cinco dias. Não é o nosso trabalho. Existem pessoas que devem fazer o trabalho de fiscalização”, sustentou.

Tommy Melo defendeu ainda uma revisão da estratégia de combate à extracção ilegal de areia e questionou a eficácia das medidas actualmente em vigor.

“É preciso perguntar aos agentes de fiscalização o quão difícil é realmente fazer a fiscalização e rever onde é que se pode apanhar areia e com que legalidade”, lançou.

Relativamente à actuação das autoridades, pediu uma intervenção mais eficaz e um reforço das sanções aplicadas aos infractores.

“Espero que façam uma revisão completa do plano estratégico que têm até agora, porque não está a funcionar, e que montem, realmente, um plano operacional que seja exequível”, declarou.

Segundo Tommy Melo, agentes da Polícia Nacional relataram que vários camiões têm sido apreendidos, mas que as multas aplicadas não têm produzido os resultados esperados.

“A multa é de 50 mil escudos e eles pagam isso com três ou quatro carradas de areia. Há duas ou três semanas apanharam o mesmo caminhão três vezes”, contou.

Perante este cenário, o ambientalista defendeu o agravamento das penalizações e apelou a uma acção mais firme das autoridades para proteger as zonas costeiras e os ecossistemas da ilha.

LN/HF

Inforpress/Fim

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