
Mindelo, 12 Fev (Inforpress) – A época do Carnaval, no Mindelo mostra ser uma preocupação no que toca à luta contra a dengue e à proliferação da doença na ilha, assegurou o administrador executivo do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).
Hélio Rocha enfatizou a questão à imprensa à margem de uma formação, organizada pela Delegacia de Saúde de São Vicente, tendo como finalidade o reforço das capacidades internas para o combate à doença, assim como o aprimoramento de agentes para atacar o mosquito tanto na sua fase de larva, como na fase adulta.
“Só os agentes da luta anti-vectorial são insuficientes para conseguirmos a eliminação dessa doença no país, temos de ter o engajamento de toda a população”, apelou, com lembrete ao cuidado com água parada e com a proliferação do mosquito e consequente aumento da doença.
Avançou que a ilha de São Vicente tem alguma particularidade, uma vez que nos últimos meses apresentou-se como o “epicentro da doença”, a inspirar o redobramento da própria vigilância.
Por isso, admitiu haver alguma preocupação com a ilha, por ser a segunda com maior população e que já teve “uma grande quantidade de casos”.
Juntando-se a isso, acrescentou, aproxima-se o Carnaval que provoca uma “grande circulação” de pessoas, que podem estar infectadas pela dengue ou outras arboviroses transmitidas pelo mosquito.
“O que temos de fazer é reduzir a densidade de mosquito existente ou mesmo eliminá-lo por forma a ficarmos tranquilos, também para quando o Verão chegar, em que recebemos muitas pessoas”, sustentou Hélio Rocha.
A acção formativa contou também com os contributos do consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jude Bigoga, que levantou também à imprensa a questão do Carnaval e instou sobre medidas que estão a ser tomadas para que os visitantes não tragam a doença e, por outro lado, os mosquitos existentes na ilha não oferecem riscos entomológicos para a transmissão em cadeia.
“Este é um grande perigo, então precisamos nos levantar. Pessoas do sector de transporte, o Governo precisa pressionar todos os motoristas que irão transportar pessoas. Eles precisam colocar adesivos sobre a dengue em seus veículos”, exemplificou a mesma fonte.
Para o consultor internacional, a melhor forma de combate é investir na educação das pessoas e as levar a assumir a responsabilidade pela luta contra doenças transmitidas por vectores, algo que, a seu ver, pode em pouco tempo levar à eliminação destas.
A nível nacional, segundo o administrador do INPS, há um cenário de diminuição de casos, inclusive com alguns municípios a estarem zerados, mas, defendeu, não é o momento de baixar a guarda.
Isto porque, de acordo com Hélio Rocha, a redução pode estar relacionada com as temperaturas mais baixas, o que pode mudar quando aumentar a temperatura e a humidade nos próximos meses.
A acção formativa, iniciada na terça-feira, 11, prolonga-se até quinta-feira, 13.
LN/ZS
Inforpress/Fim
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